A palanqueira fala, e os brasileiros protestam

Depois de assistir ao pronunciamento de Dilma Rousseff feito ontem à noite em cadeia nacional de rádio e TV, fui invadido por uma vontade quase incontrolável de sair andando sobre quatro patas. É impressionante como o espírito palanqueiro do período eleitoral ainda não desencarnou de nossa digníssima. Em quinze minutos de palavrório, ela não fez nem sequer um mea-culpa pela situação atual por que o País atravessa. De novo, tudo foi culpa da crise internacional e da seca.

Disse Dilma, a incólume, que a crise pela qual estamos atravessando é a “mais severa” desde o crash de 1929. As escolhas desastradas feitas pelo seu governo para amainar os efeitos da “marolinha”, como disse Lula, foram, ao ver de Dilma, acertadas. Ela justificou: “Na tentativa correta de defender a população, o governo absorveu, até o ano passado, todos os efeitos negativos da crise. Ou seja: usou o seu orçamento para proteger integralmente o crescimento, o emprego e a renda das pessoas”.

Pois é, ao proteger o crescimento, induziu-se um nacional-desenvolvimentismo borocoxô, subsidiando os amigos do rei com empréstimos cujos juros eram custeados pelo Tesouro. Os números do emprego são obtidos mediante uma metodologia para lá de questionável. E a renda das pessoas, bem, está esfacelada pela inflação nos píncaros, muito além do teto da meta.

Como remédio ao apanágio, Dilma pediu paciência a todos nós. Isso mesmo! Ela adota uma matriz econômica catastrófica e os trabalhadores é que pagam o pato.

Comparem o que ela disse na noite de ontem com seu discurso de campanha eleitoral (vídeos abaixo). A conclusão a que chegamos só pode ser uma: quem continua acreditando nessa mulher ou sofre de severo déficit cognitivo ou é um cúmplice. Para o primeiro caso, há saída possível; no segundo, a esperança esvanece-se.

Ah, sim: simultaneamente ao pronunciamento da governanta, uma onda de protestos despontou em partes do País. Foram pessoas cansadas de serem enganadas pelo discurso da mentira oficial que vaiaram Dilma e promoveram um panelaço.

Nas redes sociais, li, com um certo juízo de valor, que as manifestações havidas em São Paulo concentraram-se em bairros nobres, enquanto a periferia teria ficado calada. Tudo não teria passado de coisa dos “ricos” e da “elite”.  Vamos imaginar que essa constatação seja verdadeira. Engraçado! Então quer dizer que o silêncio do pobre é mais virtuoso do que a manifestação do rico? Então a indignação do abastado é ridícula porque do abastado; e a aquiescência do pobre é valorosa porque do pobre? Ah, tenha santa paciência. A democracia ainda não se macula por essas distinções mixurucas.

Dilma eleita

Dilma candidata

A palanqueira fala, e os brasileiros protestam

Torcer pelo cumprimento da lei é golpe? Segundo o PT, sim!

Dilma Rousseff merece sofrer impeachment. Eu adoraria me livrar da soberana, essa incompetente que levou o País ao atoleiro. Aqui e ali se ouvem analistas prevendo que 2015 e 2016 serão “anos de ajustes”. Por que ninguém fala as coisas com as palavras que merecem ser ditas? “Anos de ajustes” são “anos de crise”. O governo está quebrado. Comportando-se feito uma perdulária, Dilma arranhou a credibilidade fiscal do País. Sabem os déficits gêmeos? Pois é… Ninguém mais investe, compra, parcela, empresta dinheiro, dá emprego… Estamos em um colapso.

A Joaquim Levy, tido como o salvador da pátria, restou o papel de anunciar as medidas para atenuar a situação. Todo o receituário, é óbvio, tem como fio condutor o bolso do contribuinte, já penalizado por uma inflação em galopantes 7,9%. Governos não geram riquezas, como é sabido. Todo dinheiro de um País tem origem no trabalho de seu povo. Corolário: só resta a nós, trabalhadores, custear a farra de dona Dilma.

Mas divago.

Se Dilma for apeada do poder – por meios constitucionais, registre-se –, um pandemônio vai se instalar. O PT é um partido infantil. Não sabe conviver com as regras do jogo. Se alguém ameaça, ainda que legitimamente, tirar-lhe do poder, logo trata de armar sua turma de birrentos para por para funcionar a máquina de difamação e de boataria. O partido se comporta como o dono da bola: é minha, e se eu não brinco, ninguém brinca também. A democracia está para o PT como a bola está para o menino. Fosse agremiação insignificante, tudo bem; mas trata-se do maior partido do País, e sua capacidade de mobilização é gigantesca.

É verdade que muita gente já abandonou o partido, o que acaba por minar a aderência às besteiras da milícia petista. Os pobres, que sempre foram usados como desculpa pelo PT para a prática sucessiva do assalto ao Estado, já desembarcaram da turba que sempre lhe conferiu estratosféricos índices de aprovação. Uma coisa é aplaudir Dilma e Lula quando a imaginária nova classe média desfrutava do dinheiro fácil e as quinquilharias eram compradas a preços razoáveis; outra é olhar para a gôndola do supermercado e, semanalmente, levar um susto com o preço da banana, do arroz de segunda, da carne de segunda, do refrigerante vagabundo…

Quando, na campanha, falava-se de aumento inflacionário, aumento de desemprego, queda de confiança para investimentos e contração de crédito, déficit orçamentário etc, a maioria das pessoas acreditavam que isso era mi-mi-mi daquela gente do contra, não é mesmo? Aquela gente chata, do quanto pior, melhor; da elite incomodada com a ascensão dos pobres… Pois é, meus caros, a paranoia não era delírio, e a conta está aí. Soma-se a esse conjunto de infortúnios a iminência de um apagão. Se o PIB estivesse crescendo a 3% ou 4% ao ano, já estaríamos em trevas. Como nossa economia está no padrão PT, a escuridão, pelo menos, está postergada. No entanto, se as chuvas não forem generosas no curto prazo, preparem as velas.

Ah, claro: quem apontava a lama em que estava chafurdada a Petrobras era um antinacionalista, que só queria saber de privatizar a empresa. Ficou provado que quem ama aquela tranqueira são mesmo os petistas, né? Olha que maravilha a situação em que deixaram a companhia. O quilo do músculo (R$ 23,00) está mais valorizado que uma ação da petrolífera (R$ 9,57). Em 2010, os papéis chegaram a margear os R$ 30,00. Quem te viu quem te vê…

Mas e o impeachment com isso? Ora, simples. Segundo a Lei n. 1.079, que trata do assunto, Dilma pode, sim, sofrer perder o diploma de presidente da República. Repito: é a LEI que nos faculta chegar a essa conclusão, não uma farsa golpista, como o PT tem esparramado por aí. Diz a Lei:

Art. 9º São crimes de responsabilidade contra a probidade na administração:
5 – infringir no provimento dos cargos públicos, as normas legais;

Quem era mesma o presidente do Conselho de Administração da Petrobras à época das patuscadas que deram origem ao Petrolão?

Mais: o passa-moleque que o Executivo deu no orçamento, transformando déficit em superávit, também é matéria de impeachment. Diz, ainda, a Lei n. 1.079:

Art. 4º São crimes de responsabilidade os atos do Presidente da República que atentarem contra a Constituição Federal, e, especialmente, contra:
V – A probidade na administração;

Se a Lei ainda vale alguma coisa, nós vamos, sim, nos livrar dessa senhora. Não é ser golpista. Golpe quem dá o PT, ao solapar todo dia o regime democrático e minar as estruturas institucionais do Estado. Ou é mentira que, nos bastidores, o governo trabalha a todo vapor para acabar com a Lava-Jato? Torcer pelo impedimento de Dilma tampouco é compor a plateia do “quanto pior, melhor”. É simplesmente se entusiasmar com o cumprimento de leis democraticamente compactuadas.

15 de março: dia de lembrar que as leis existem.

Torcer pelo cumprimento da lei é golpe? Segundo o PT, sim!

Bendini tenta vender algo que não tem: independência

Em entrevista exclusiva concedida ao Jornal Nacional de ontem (10/2), o novo presidente da Petrobras, Aldemir Bendine, tentou mostrar que terá, sim, independência na condução da petrolífera. “Do ponto de vista de ingerência, se eu for dar o exemplo de onde estou vindo agora, seis anos na presidência de um banco que também é uma sociedade de economia mista, eu me senti muito confortável nesse período porque eu tive total liberdade e autonomia para trabalhar e é também o que me foi confidenciado pelo Conselho de Administração (da Petrobras)”, disse.

Bem, a coisa não foi bem assim como retrata o executivo. Dilma Rousseff, a presidente com capacidade de afundar qualquer coisa sobre a qual sobrevenham suas ideias, usou descaradamente o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal para forçar uma queda de juros nas operações de financiamentos imobiliários e de empréstimos. Isso era bom para o banco? Era oportuno? Que se dane! Nessas horas, o populismo sempre prevalece. O fato é que ela mandou, e ele bovinamente obedeceu.

Por sinal, cumpre lembrar o desempenho medíocre que o BB, ainda sob Bendine, teve em 2014. O lucro do banco caiu 28,6%, enquanto o do Bradesco e do Itaú subiram 25,6% e 29%, respectivamente.

Mais: esse senhor é especialista em derrubar o valor de ações. Ao assumir a Petrobras, as ações caíram 6%. Quando foi nomeado presidente do Banco do Brasil, a queda dos papéis foi de 8,15%.

Ah, o coquetel de infortúnios não para por aí. Uma analisada na lista dos membros do Conselho de Administração da Petrobras só corrobora a impressão de que o sócio controlador daquela geringonça, ou seja, o governo, continuará fazendo o que bem entender. Eis a plêiade do Planalto: Guido Mantega (como presidente!), Maria das Graças Foster, Luciano Coutinho e Miriam Belchior. Cada um, vale lembrar, carrega nas costas, em menor e em maior grau, maus momentos em suas respectivas áreas de atuação.

E o PT teima em dizer que quem quer privatizar a Petrobras, livrando-a dessa corja, é antinacionalista. Que piada!

Bendini tenta vender algo que não tem: independência

Piquenique à beira do abismo

Partindo da velha teoria do copo meio cheio e meio vazio, sob a ótica do primeiro desígnio, Aécio Neves pode levantar as mãos aos céus e agradecer ao Altíssimo por ter perdido as eleições. Livrou-se da herança pra lá de maldita de Dilma Rousseff. Quem diria, hein? O PT, que bradou eleição pós eleição como os “fantasmas do passado” levariam o País à bancarrota agora vê-se encalacrado pelo próprio discurso.

Dias depois de consumadas as eleições, ficamos sabendo que o governo de Dilma esbanjou dinheiro pra tudo quanto foi canto. Os gastos superaram a arrecadação, levando a contabilidade pública ao maior déficit desde o início do acompanhamento da série histórica. Foram R$ 20,4 bilhões no vermelho, considerando apenas o governo federal. Se entrar no balaio as contas de estados e municípios, o rombo vai a R$ 25,5 bilhões. É um piquenique à beira do abismo.

Não há contabilidade criativa que dê jeito. O governo não poupou nenhum mísero centavo para o pagamento da dívida. Com isso, o Tesouro Nacional pretende enviar ao Congresso Nacional – o mesmo que, após as eleições, impingiu duas derrotas ao Planalto – proposta para rever a Lei de Diretrizes Orçamentárias deste ano. Não é uma piada de mau gosto? Ao apagar das luzes de 2014, o governo quer reduzir a meta de superávit primário para posar de guardião da Lei de Responsabilidade Fiscal. O superávit estabelecido era de 1,55% do PIB (R$ 80,8 bilhões), e já foi pra casa do chapéu.

Lembram-se de quando o Lula discursou sobre os efeitos da crise internacional no Brasil? Seria uma marolinha, não é mesmo? Por quê? Ora, porque nossa economia continuaria pujante, estimulada pela indução do consumo interno e pelos gastos do governo. As desonerações fiscais concedidas à época, e, mais ainda, sua manutenção a partir de 2012, começam a se refletir nas contas deste ano. Se me permitem um paralelo, há uma famosa frase de Rumpelstiltskin, uma personagem de conto de fadas alemão que ganha protagonismo no seriado Once Upon a Time: “Toda magia tem seu preço”. O PT quis fazer mágica com a economia, está aí o preço.

Mas, como sabemos, o PT jamais praticaria nada contra o Brasil. Arno Augustin, queridinho de Dilma Rousseff e secretário do Tesouro Nacional, defendeu com afinco todas as escolhas fiscais do governo. “Optamos pelo que era melhor para o País”, disse ele. Imaginem se tivessem optado pelo pior… Augustin disse, ainda, que o resultado péssimo pode ser atribuído à arrecadação e crescimento inferiores às expectativas. A justificativa para o esquálido PIB será a crise internacional. Engraçado que nossos vizinhos não dizem a mesma coisa e crescem bem mais que nós.

A saída para essa encruzilhada é a receita que Dilma tanto condenou durante sua campanha: subir os juros e praticar uma rigorosa política de ajuste fiscal. Curiosamente, essas eram fórmulas que Armínio Fraga, então candidato a ministro da Fazenda de Aécio Neves, defendia. Ou é isso ou a credibilidade da política econômica e a sustentabilidade da dívida pública irão para o ralo. O Brasil não tem uma poupança interna como a da China, cujo limite é praticamente o céu, para continuar nessa sina de irresponsabilidade fiscal. Dependemos de recursos externos para investir. E eis aí um busílis: para conseguir o cascalho estrangeiro é preciso anuência das agências de classificação de risco. Mas com esse cenário desastroso, não temos muita reputação para figurar entre os diletos da Moodys, Fitch, Standar and Poor’s e companhia.

Como nosso orçamento é engessado, sem muito espaço para manobras, economistas já esperam aumento de impostos para este ano. Sabem como é, né? Governos não geram riqueza; trabalhadores, sim. Dilma já reconsidera a volta da Cide, o aumento do IPI (para desespero da indústria automobilística) e a recriação da CPMF. Ou seja, um belo pacote de maldades que vai atingir diretamente o bolso dos brasileiros. Mas, venham cá, quem durante a campanha eleitoral todo santo dia batia na tecla do arrocho salarial mesmo caso seu oponente ganhasse? Pois é…

E isso é só uma fração do todo. Há ainda a economia em recessão a ser recuperada, os investimentos em desenfreada queda, inflação alta (o teto da meta transformou-se no centro!) e artificialmente controlada (o governo seguro aumento de preços e controla o câmbio) e a volta da vulnerabilidade externa (conta corrente com déficit acima de US$ 80 bi neste ano).

Aécio, meu caro, você se livrou de uma bomba!

Piquenique à beira do abismo

O MEDO VENCEU A ESPERANÇA

O terrorismo eleitoral, a campanha do medo e o sem-número de mentiras promovidas pelo PT, o que acabou por caracterizar as eleições de 2014 como a mais suja desde a redemocratização, levaram Dilma Rousseff a sair das urnas com 51,63% dos votos válidos (54,5 milhões de eleitores). Aécio Neves, do PSDB, conquistou para seu partido a maior votação de sua história: 48,37% dos votos (mais de 51 milhões de eleitores). Desde 2002, quando Lula derrotou Serra (61,3% a 38,7%), a diferença de votos recebidos pela oposição em relação ao PT vem diminuindo. Em 2006, Lula ficou com 60,8% dos votos; Alckmin, com 39,2%. Em 2010, Dilma levou 56,1%; Serra, 43,9%. Há aí uma tendência, sim, por mais que especialistas lutem em negar: o modelo petista de governar está levando o eleitorado ao enfado.

Fosse a campanha eleitoral pautada pelos bons princípios e pela higidez, talvez nestas eleições a ânsia por algo novo ficaria ainda mais escancarado. Ocorre que, em um ambiente em que o adversário é pautado pelo ódio e pela sina de anatemizar o oponente até as últimas consequências, o território para a propagação de ideias férteis ao debate democrático e ao futuro do País se torna menos propenso. Se Dilma ataca, Aécio tem de se defender. Como ficar calado frente às mentiras de que o PSDB acabaria com os programas sociais? Como deixar de refutar suposições de que o tucano agredia mulheres? Como aquiescer frente à boataria de que Armínio Fraga, trazendo a inflação para 3%, inevitavelmente elevaria o desemprego para 15%? Como deixar passar incólume constatações estarrecedoras, como a de que Fernando Henrique Cardoso entregou o Brasil a Lula com uma inflação maior do que quando recebeu?

Marina Silva, espancada sem dó pelo petismo, preferiu “dar a outra face”. Se ferrou. Viu suas intenções de voto minarem paulatinamente. Da dianteira nas pesquisas, foi para a terceira colocação. Sob a pecha de homofóbica (santo Deus!) e de mentirosa, deixou-se abater pela máquina de sujar reputações. Antes dela, Eduardo Campos já estava na mira. Com sua trágica morte, os holofotes encarregaram-se de focalizar a nova presa.

Dossiês contra adversários políticos, uso de estatais e da máquina pública para fustigar campanha da oposição, disseminação de boataria, a transformação do oponente em alvo a ser destruído, a certeza de ser dotado de um exclusivismo moral que lhe assegura um hipotético direito de guerrear a conduta das pessoas, e, o pulo do gato: acusar os outros de fazer exatamente tudo aquilo que você faz. Eis o PT. Dilma e Lula, em comícios Brasil afora,  disseram que os tucanos proferiam discursos de ódio. Era, evidentemente, mentira. É fácil constatar quem levou ao picadeiro a palra do nós contra eles. O marketing do PT sempre foi eficiente em estimular um arranca-rabo de classes. Pespegam nos adversários o epônimo das elites que não gostam nadinha da ascensão dos mais desfavorecidos. Como a causa destes (pobres) é a virtude deles (PT), aqueles (PSDB) representariam o retrocesso. Para evitar isso, só mantendo Dilma no poder, e fazendo povo acreditar que o Brasil da propagando de fato existe e não é um conto de fadas.

Não é fácil sustentar esse sistema. Mantê-lo irrigado com falácias requer infraestrutura e braços. É por isso que vimos os Correios atuando como comitê eleitoral do PT. É por isso que beneficiários do Bolsa Família receberam SMS afirmando que, em eventual vitória de Aécio, os recursos para o programa cessariam. É por isso que gente cadastrada no Minha Casa, Minha Vida foi alertada sobre o risco de sua moradia não ser mais entregue.

E sabem o que é mais nojento? É o PT, que sempre se orgulhou de hastear a bandeira dos mais desvalidos, usá-los como massa de manobra para se locupletar em seu projeto de poder. Pobres, meus caros, são conservadores. Procuram preservar qualquer conquista que tenham na vida, o que os conduz ao anseio por estabilidade e certa resistência a mudanças. Não têm esse comportamento, em tese, por má-fé, mas sim por um, digamos, instinto de sobrevivência. Dá-me asco saber que o PT se aproveita desse sentimento para levar pânico a essas pessoas. Foram SMSs, torpedos, mensagens de WhatsApp com mensagens caluniosas e ameaçadoras enviados diretamente a milhares de pessoas. A própria Dilma vocalizou que Aécio era contra o salário mínimo, e sua vitória era o prefácio de uma era de desempregados.

Não há debate razoável a ser feito em um ambiente contaminado pelo ódio. O eleitorado, ávido por propostas e uma discussão pertinente sobre o futuro, vê-se diante de baixarias mil de um lado. Se o outro lado não responde, corre-se o risco de ver dedos em riste apontados para sua cara, em tom de “quem cala, consente” (sim, pode-se usar vírgula em sujeito oracional). E os interesses do País vão para o ralo. Diante disso, o dia a dia do brasileiro comum, a economia estagnada, a indústria desempregando, a dívida interna explodindo, a inflação nos estertores da meta… como diria Rita Lee: tudo vira bosta. Em um debate menos contagiado pelo ódio petista e mais aberto à lisura de propostas, o PT perderia. E feio.

O medo venceu a esperança. A mentira prevaleceu sobre a verdade. A desonestidade intelectual suplantou a decência.

É claro que ainda escreverei mais sobre essas eleições. Um post é muito pouco para os quilos de coisas que ainda precisam ser ditas.

O MEDO VENCEU A ESPERANÇA

UM ESTUDO DA FIRJAN E UMAS DECLARAÇÕES DE MERCADANTE

Ter memória proustiana tem lá suas vantagens. O PT, como é de costume, fez uma campanha canalha em 2010 nas eleições para o governo do estado de São Paulo. Criticaram mais tonicamente a qualidade de vida dos paulistas e os atuais sistemas de educação e segurança. Pois é. São Paulo, hoje, já não está mais na zona de homicídios considerada epidêmica pela Organização Mundial de Saúde, de 10 mortes para cada 100 mil habitantes ao ano. Segundo o último levantamento divulgado pela Secretaria de Segurança Pública, a atual taxa de São Paulo é de 9,6 para cada 100 mil. A média nacional é de 25! Na Bahia, cujo governo é do petista Jaques Wagner, esse índice é de 34,7 por 100 mil.

Por que trago à baila essas questões? Bem, a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) acaba de divulgar o Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal, que avalia e consolida dados sobre emprego, renda, educação e saúde de todos os 5.564 municípios brasileiros. A íntegra está aqui.

Algumas conclusões deste levantamento merecem destaque, pois esfacelam o discurso mal ajambrado do PT. “Pô, mas um ano depois?”. Sim! Que fossem 10 anos! Pouco me importa. Isso porque, se necessário for, não tenham dúvidas que petistas recorrerão às mistificações novamente. Devem fazê-lo, escrevam o que estou dizendo, no próximo ano, durante as eleições municipais. E combate-los é preciso.

As notas de avaliação variam entre 0 (pior cenário) e 1(melhor). Levando em consideração os resultados gerais, as primeiras posições das cidades com os melhores IDFM estão congeladas desde 2006. O grupo é liderado por São Paulo (0,8796), seguido pelo Paraná (0,8222) e Rio de Janeiro (0,8062).

Considerando o índice Emprego e Renda, dentre os 500 melhores resultados o estado de São Paulo tem 168 municípios, concentrando a maioria absoluta. Nesse quesito, esse resultado garante ao estado a nota 0.86888, seguido pelo Rio (0,8541) e Paraná (0,8022).

Sobre educação, diz o estudo: “os municípios paulistas mantiveram a supremacia no ranking de educação: dos 100 melhores resultados de 2009, 98 são do estado de São Paulo. Como corolário dos resultados de seus municípios, o estado de São Paulo também figurou como primeiro do ranking estadual do IFDM – Educação com 0,8909 pontos”. E sobre saúde: “os municípios do Rio Grande do Sul apareceram, pelo quinto ano consecutivo, no topo do ranking do IFDM – Saúde: 165 dos 500 maiores são gaúchos. Este seleto rol tem também participação expressiva do Paraná e de São Paulo: 118 e 95 municípios, respectivamente”. Vale lembrar que em entrevista à rádio CBN em setembro do ano passado, Mercadante chegou a declarar que a educaçãoem São Paulosofria um verdadeiro “pedagocídio”.

O delineio desses cenários levou a um resultado que desbanca o discurso de Aloízio Mercante. Das 15 melhores cidades em qualidade de vida, 14 estãoem São Paulo.

E aí, Mercadante? Cadê o caos? “Ah, mas estamos longe da perfeição”, podem argumentar. Mas também estamos longe da perfeição do desastre, conforme delineado por aquela gente.

Guardem essas informações. Elas são uma arma contra a mentira e o embuste “deles”.

UM ESTUDO DA FIRJAN E UMAS DECLARAÇÕES DE MERCADANTE

AINDA O NOVO CÓDIGO FLORESTAL. DESMISTIFICANDO MAIS UMA INFORMAÇÃO

Abaixo vocês podem ler post meu de segunda-feira dando conta das grandes mentiras que se tem dito sobre o novo Código Florestal. Chega a ser um acinte o volume de barbaridades ditas por gente que sequer passou os olhos pela proposta de Aldo Rebelo e, num lampejo de dar dó, empunham a bandeira do ambientalismo de cabresto. Pior: essa gente – artistas, “intelequituais”, modelos, etc – se utiliza do prestígio conseguido em suas vidas profissionais para destruir a verdade em outro campo. A saber:

– é mentira que o novo código proponha anistia a desmatadores;
– é mentira que as áreas de mata diminuirão; pelo contrário: elas aumentarão;
– é mentira que a Ciência sequer foi ouvida. Aldo convocou a SBPC para um debate na Câmara, por exemplo. O que os valentes fizeram? Deram de ombros e ignoraram o convite. Depois emitiram uma nota ridícula afirmando que foram deixados de fora do debate. Cambada!
– é mentira que os grandes produtores são os maiores beneficiários da proposta. Em geral, são os pequenos agricultores que terão oportunidade de se regularizarem;

Basta ler o código, santo Deus!

Quem assiste a esse show de horrores em que se transformou o debate pode até ficar com uma pulga atrás da orelha. “Ora, mas se tanta gente assim está dando conta de que as florestas desaparecerão, algo de estranho tem aí”, podem pensar inocentemente. Pois é. Quem ouve Marina Silva e os ongueiros apocalípticos falarem fica com margem para interpretar que os agricultores, esses malvados inimigos das saúvas e das capororocas, dominam nosso território em detrimento das matas. O IBGE tem dados interessantíssimos a respeito disso. Vejam a tabela abaixo.

As informações foram concebidas a partir do Censo Agropecuário feito em 2006. Basta analisar detalhadamente a tabela para se chegar a conclusões de deixar Marina Silva e ONGs da causa com o nariz marrom. Como se nota, a agropecuária que produz a comida mais barata do mundo ocupa apenas 329.941.393 milhões de hectares – ou 38,8% – de um total de 851.000.000 do território nacional.  Detalhe: dentro desses 329.941.393 hectares, 98.479.628 (29,84%) correspondem a matas e florestas, as quais integram as Áreas de Preservação Permanente e de Reserva Legal. Ou seja: para a atividade agroindustrial sobram 231.461.765 – 27,2%.

Segundo o Ipea, o passivo ambiental brasileiro é de 159,3 milhões de hectares. Como não sou nenhum matematicamente distraído, às contas: considerado este número, é preciso entregar às florestas 69% da atual área destinada à agricultura. Sendo assim, a agricultura mais competitiva do mundo teria apenas 8% do território para produzir, ou 72.161.766. Loucura, não? Pois não é isso que pensam os salafrários de plantão.

Trata-se de pura mistificação debitar da conta dos produtores de comida o ônus pelo desmatamento de nossas florestas. Sob o nariz do Ibama, madeireiros devastam hectares e mais hectares de mata. Desmatar para deixar terra batida é barato. Desmatar, preparar a terra para cultivo e produzir comida é caro e dá trabalho pra chuchu. No entanto, se levar a cabo o que dizem entidades como a SBPC ao afirmar que bastam umas cerquinhas aqui e uns manejadinhos ali para que a área agricultável do País ganhe mais 60 milhões de hectares, somos obrigados a concluir que nossos agricultores estão aproveitando mal mais de 25% de suas terras, justamente num contexto global de demanda por comida e dificuldade para encontrar terras para plantar.  É de rolar de rir.

E, claro, na esteira do circo da desinformação, o novo código acaba levando chibatada por conseqüência.

Vão plantar batatas!

AINDA O NOVO CÓDIGO FLORESTAL. DESMISTIFICANDO MAIS UMA INFORMAÇÃO