ROMEU E JULIETA, POR TCHAIKOVSKY

Vamos dar um passeio pela música erudita. Também falo de coisa boa aqui neste espaço, hehe. Quando iniciei meu primeiro blog, lá nos idos do UOL – cujo serviço de blog é um dos priores que já conheci –, tinha comigo o propósito de fazer resenhas de livros, CDs e filmes. No entanto, fui tomado pelo ímpeto de comentar coisas da política, da economia, da filosofia… e acabei relegando aquela intenção inicial. Não por falta de interesse, mas de tempo.

Sou um leitor voraz de livros. Gostaria de desfrutar de tempo suficiente para encetar algumas impressões sobre minhas últimas leituras, como A Queda, de Diogo Mainardi, experiência que cobriu meus olhos com o úmido véu da emoção; Sussurros, de Orlando Figes, história que percorre com sensibilidade única o drama vivenciado pelos “inimigos do povo” segundo a concepção de um dos maiores assassinos da história, Stalin; A Trégua, de Primo Levi, narrativa envolvente sobre o drama por que passaram milhares de judeus após o nazismo; Rumo à Estação Finlândia, uma viagem inteligente e viciante pelas mentes revolucionárias dos séculos XIX e XX; e até mesmo As Onze Mil Varas, de Guillaume Apollinaire, um texto de humor que percorre o improvável em matéria de sexo.

Adiante.

O vídeo acima traz uma de minhas obras favoritas em toda literatura musical do século XIX, a Abertura Romeu e Julieta, do compositor Piotr Ilitch Tchaikovsky (1840 – 1893), um dos primeiros russos a ganhar notoriedade internacional no cenário da música erudita. Conquanto chamada de Fantasia-Abertura, Romeu e Julieta poderia ser considerada um poema sinfônico em forma sonata. Tchaikovsky não buscou retratar toda a ação da peça de Shakespeare. Preferiu ater-se a três pontos principais: o primeiro é notado pelos compassos executados pelas madeiras (clarinetes, fagotes e, mais adiante, flautas, acompanhadas por harpas), no qual Frei Lourenço é apresentado. O contorno musical a ele conferido o aproxima muito da Igreja Ortodoxa Russa. O segundo ponto é a guerra entre os Capuleto e os Montecchio, simbolizado pela música intensa e agitada. O terceiro é o tema de amor, melodia arrebatadora que traz em si a pulsão do amor entre as personagens principais.

A ideia de compor algo sobre o romance de Shakespeare foi de Balakirev, um dos expoentes do Grupo dos Cinco, que reunia, além do próprio Balakirev, os compositores Borodin, César Cui, Mussorgsky e Rimsky-Korsakov – todos com espírito nacionalista. O quinteto tinha uma sina: a busca por um jeito genuinamente russo de fazer música, oposto ao verniz das tendências francesas e italianas. Embora Tchaikovsky estivesse em constante contato com os cabeças desse grupo, seu trabalho só foi tido como aderente por eles com a feitura de Romeu e Julieta. Isso porque a obra ia de encontro às tais tendências europeizantes combatidas pelo grupo.

Escrever uma peça musical inspirada no grande romance shakesperaino pareceu-lhe, num primeiro momento, algo pouco propício, dado o fracasso com que sua ópera Ondina fora recebida pelos Teatros Imperiais. Em uma carta a Balakirev, Tchaikovsky escreveu: “Estou completamente esgotado (…) Não quero escrever até que tenha esboçado pelo menos alguma coisa, mas minha mente está completamente privada de pensamentos musicais que sejam ao menos toleráveis”. A resposta do amigo e tutor, que não demorou a chegar, estimulava-o a exercitar sua criatividade e o orientava detalhadamente sobre a nova obra, inclusive, com os primeiros compassos escritos e algumas sugestões de modulações. Vale lembrar que Balakirev já havia se inspirado em Shakespeare para escrever Rei Lear.

A estreia, em 1870, foi na cidade de Moscou, sob regência de Nikolai Rubinstein. Um escândalo envolvendo o maestro e uma aluna provocou uma viçosa manifestação no dia da apresentação, ofuscando o empreendimento de Tchaikovsky. Ninguém deu muita atenção à peça. Todos só falavam da balbúrdia. “Durante a noite inteira, ninguém me dirigiu uma palavra sobre a Abertura. E eu estava precisando tanto de apreciação e bondade”, escreveu Tchaikovsky. Esses apontamentos de carência eram freqüentes em sua vida. Homossexual, o compositor impôs-se um duro modo de viver: casar-se com uma mulher para manter as aparências e poupar o pai, enquanto encontrava-se secretamente com amantes masculinos.

Atualmente, o tema de amor de Romeu e Julieta tem sido utilizado vastamente como trilha sonora de filmes e outros musicais, como Columbo, Kim Possible, Sesame Street, Bob Esponja (onde chegamos, meu Deus?) e Três Mosqueteiros.

A execução da obra, no vídeo acima, é da Orquestra Sinfônica de Londres, sob a batuta de Valery Gergiev – uma das principais autoridades quando o assunto é música russa.

ROMEU E JULIETA, POR TCHAIKOVSKY

RESSURGINDO, COM MAHLER

Milhares e milhares de pessoas cultivam a música; poucas, porém, têm a revelação dessa grande arte. A frase é do grande compositor alemão Ludwig Van Beethoven (1770 – 1827), revolucionário no seu tempo – foi o primeiro a usar um coral de vozes em uma sinfonia, sua famosa Nona. A máxima de Beethoven merece ser apreciada a fundo. Como, afinal das contas, tem-se a “revelação” dessa grande arte?

Desenvolver a capacidade de sensibilizar-se mediante uma peça musical (e estamos falando de música erudita, registre-se) é atividade a ser exercida em doses homeopáticas, a qual, num paralelo, podemos tê-la sob o mesmo prisma de Éthienne Bonnot de Condillac quando tratou da noção do eu em seu Traité des sensations (1754), reproduzido pelo excelente escritor argentino Jorge Luis Borges n’O Livro dos Seres Imaginários. Condillac nos convida a refletir sobre a origem das ideias. A figura utilizada para tal é uma estátua de mármore cujas feições assemelham-se às humanas. Num primeiro momento, Cadillac atribui ao monumento apenas um sentido: o olfativo, aquele que chama de “talvez o menos complexo de todos”. Um cheiro de jasmim é o começo da biografia da estátua. Por um instante, tão-somente esse cheiro é o único presente no universo. Ele é o universo. Depois, esse universo também será o cheiro da rosa, e do cravo, e da dama-da-noite… Consideremos que na consciência da estátua haja um cheiro único, e já teremos a atenção; que perdure um aroma quando o estímulo tiver cessado, e teremos a memória. Que uma impressão atual e outra reminiscente ocupem a atenção da estátua: eis a comparação. Percebendo analogias e diferenças, temos o juízo. Que a comparação e o juízo novamente ocorram, e temos a reflexão. Que uma lembrança agradável seja mais fulgurante que uma impressão desgostosa: já temos a imaginação. Concebidas as faculdades do entendimento, as da vontade surgirão após: amor e ódio, esperança e medo. E assim Condillac percorre um instigante caminho, atribuindo à estátua sentidos desencadeados a partir de outros até que se chegue ao cume: a noção do eu.

Que sejamos todos estátuas. Nosso universo é o silêncio. Irrompe um som uníssono e trêmulo como o de muitas abelhas cujo bater das asas é perfeitamente sincronizado. Em seguida, um conjunto de graves veludos quase que truculentamente atravessa esse trêmulo. Os primeiros são sons de violinos e violas, os segundos cellos e contrabaixos; todos  nos atraindo para o mundo da 2ª Sinfonia do compositor austríaco Gustav Mahler, Ressurreição. Se mantivermos o trêmulo em nossa consciência, eis a memória. A atenção é desviada para o grave. Percebemos a diferença de timbres? Eis a comparação! E assim vamos… À noção do eu – e a outras, como veremos adiante — se chega pelo som também.

Para executar Ressurreição são necessários 4 flautas, 2 piccolos, 4 oboés, 2 english horns (também conhecidos como oboé d’amore), 5 clarinetes, 4 fagotes, 1 contrafagote, 10 trompas, 8 trompetes, 4 trombones, 1 tuba, 2 tam-tams, 1 bass drum, 1 snare drum, 1 teclado de glockenpiel, 1 triângulo, cymbals (suspensos e raspados), chimes, 8 tímpanos, 1 órgão, 2 harpas, violinos, violas, cellos, contrabaixos, coral de vozes e duas solistas. Grandes formações orquestrais são características das obras de Mahler. Sua oitava sinfonia, por exemplo, é mundialmente conhecida como a “Dos Mil”, por exigir mais de mil pessoas entre orquestra, solistas, corais adulto e infantil para tocá-la. Além da quantidade de pessoas, Mahler também quase sempre escrevia obras longas, com mais de uma hora de duração. Ele dizia que suas sinfonias deveriam ser tão grandiosas como o mundo, e elas deveriam abraça-lo.

Graças à sua ousadia de escrever para um grande número de instrumentos, Mahler conseguiu explorar sonoridades diversas, nos chamando a atenção para diferentes coloridos orquestrais, os quais se apresentam de formas alegres a tristes, de folclóricas a temas infantis, de melodia e harmonia introspectivas a explosões sonoras que nos remetem efusivas marchas militares e majestosos pesantes!

E é passando por todas essas variações que em Ressurreição, que nos conta o triunfo da vida sobre a morte, Mahler nos envolve num mundo cuja tônica é mostrar como a vida é bela e horrorosa; que, sim, há dores, mas elas hão de cessar. É uma mensagem de esperança. Se por um lado a morte é atroz, é também libertadora, pois nos arrebata dos malgrados inerentes à condição humana. “Devo morrer para viver”, canta o coral já no final da sinfonia (essa parte se inicia aos 48 segundos do vídeo abaixo), versos de Goethe que, em Ressurreição, surgem fortemente nas vozes em uníssono de um coral sustentado por cordas em tremulo e respondido por um estouro dos pratos, marcando o início de uma escala ascendente das trompas e, após, novamente, o coral repete: “Devo morrer para viver”.

“Ah, mas que  coisa mais pessimista”, podem observar alguns. Não necessariamente. O homem é uma herança de si mesmo. Cada instante devemos decidir o que fazer no instante seguinte, já diria Ortega y Gasset, e isto faz da vida do homem um problema permanente. Morremos um pouco a cada minuto, mas ressurgimos também em momentos mil. Ninguém é plenamente feliz. Vivemos em busca de felicidades momentâneas como compensatórias dos únicos nirvanas plenos aos quais temos direito: um no útero da mãe, e outro na…morte. Mas isso já é assunto para a Psicanálise.

Mas qual, afinal das contas, é a revelação da música, para volvermos ao inicio do texto? No caso específico da Segunda Sinfonia de Mahler, podemos afirmar que a essência é a eterna ressurreição do homem. Viver é ressurgir de um amor não correspondido, é ressurgir da perda de um ente querido, é ressurgir das intrigas do cotidiano, é ressurgir dos medos, é ressurgir das inseguranças, é ressurgir das calúnias que nos torpedeiam, é ressurgir das frustrações, é ressurgir de um momento, de um pensamento, de um preconceito, de uma rejeição, de uma rusga, de uma lágrima que cai…

Por isso vivemos.
Por isso ressurgimos.
Abaixo, o final da Segunda Sinfonia de Mahler. A orquestra é a Filarmônica de Viena, conduzida por Leonard Bernstein.

RESSURGINDO, COM MAHLER

PORRE

Ai, que preguiça. Falar mal do Carnaval é quase tão insuportável quanto o próprio Carnaval. Fico cá com meus zíperes a matutar sobre o que leva a essa gente do balacobaco tanta empolgação. Nunca nada muda! É sempre o mesmo ziriguidum, o mesmo bundalelê. Comentarias das transmissões insistem em nos fazer acreditar que os enredos são composições artísticas cuja poesia revela nossa subantropologia. E dá-lhe aquela bateria toda! Tum-ba-ba-ba-tim-bum e paniticambá – em compassos quartenários, evidentemente. Os cantores, sempre seu gingado similar ao balançar de um pêndulo, provocam espasmos em suas laringes afim de produzir o costumeiro timbre barítono – risos! – berrado. E como suam, meu Deus; como suam!

Como se não bastasse o Carnaval ele-mesmo, a cobertura da festança nos brinda com a exposição da metafísica carnavalesca. O objetivo é claro: despertar em nós o frêmito de sair por aí rodopiando ao som das batucadas e a sacolejar o traseiro para lá e para cá. Vocês sabem: nossas raízes, nossa brasilidade, nossa gente… Sempre dão um jeitinho de colar santo disso e santo daquilo em algum momento da festa. E claro, a mãe maior também não pode ficar de fora – assim como o comando “tira o pé do chão” (assim, ignorando a forma correta de um verbo no imperativo).

PORRE

RINGUE

Eu não gosto de ficar voltando ao mesmo assunto várias vezes. Mas há pessoas que me provocam para tal de forma eficientíssima. Algumas antas, agora beneficiadas pela inclusão digital, pesquisam coisas no Google e acabam caindo meu blog. Meus leitores habituais (e são cerca de 100, segundo me informam as estatísticas do WordPress) sabem que tolero qualquer tipo de diferença de opinião, desde que o certame se dê dentro dos limites impostos pelo bom senso e pelo respeito. Quando alguém resolve dar um pé nos fundilhos dessa regra, revido com o maio prazer. E como o blog é MEU, não dou o direito de tréplica. Quem não gostar que vá caçar sua turma.

Villa Lobos – sim, ele, de novo! – é o mote. Escreve-me um tal de Lulu as seguintes delicadezas:

vem cá, pra tu não gostar, ou não entender a música de Villa-lobos, deve ter COCÔ NO OUVIDO, (…) Vai estudar, seu animal.
Nem farei referência ao erro na expressão “Vai estudar”. Lulu não gosta de respeitar o verbo no imperativo e dá ordens à terceira pessoa no presente do indicativo quando, na verdade, está-se falando com a segunda pessoa. Sobre estudar, meu caro, eu é que te recomendo: VÁ LER OS TRATADOS DE BERLIOZ E DE KOECHLIN! Depois que concluir, volte aqui. Caso não saiba inglês, nem perca seu tempo.

E, pra encerrar, mais um que se indigna quando falo de Villa Lobos. Pedro Dutra é o nome da figura.

Villa lobos compôs muitas obras maravilhosas você é um invejoso pois não conseguiu fazer nenhum composição. vai produzir algumas coisa de útil pra depois critica
E você, Pedro, vá se alfabetizar!

RINGUE

EMBRIAGADO… DE SAINT-SAËNS

Acabo de chegar do concerto de encerramento do 40º Festival de Inverno de Campos do Jordão. O repertório foi 100% por cento francês, em razão das comemorações do ano da França no Brasil – que foi o tema do festival.

Os compositores franceses não estão entre os meus favoritos. A ânsia de serem revolucionários compasso a compasso com ousadias e artimanhas na construção de sonoridades nem sempre resulta em algo agradável de se ouvir. Peguemos, por exemplo, o Bolero de Ravel. Trata-se de uma composição magnífica, uma verdadeira aula de orquestração. Mas eis que em meio às repetições obsessivas da melodia do tema central surge um flautim tocando exatamente o mesmo desenho da idéia-fixa, porém, executando notas que parecem sair um pouco da afinação. Em suma: parece que aqueles poucos compassos de solo do flautim, em específico, foram escritos em um tom diferente do tom da clave. Há gente que acha isso divino, inovador. Eu, particularmente, não acho. Questão de gosto apenas. Falo isso antes que alguém venha querer me dar sopinha de letras na área musical: “Ah, mas música é a arte de manifestar sentimentos mediante o som. Portanto, ele pode escrever o que ele sente!!”. Jura? Dispenso essa explicação. Desculpem-me pela falta de modéstia, mas, em se tratando de música, já como feijoada.

A noite na Sala São Paulo foi dos compositores Camile Saint-Saëns e, bem, claro, Maurice Ravel. Como abertura, a Orquestra Acadêmica, sob regência do maestro Roberto Minczuk – diretor artístico do festival – executou La Valse de Ravel. Depois, o Concerto para Piano em Sol maior do mesmo compositor. Assistir a um concerto não deve ser uma atividade meramente auditiva. Reparar na movimentação dos músicos, na regência do maestro e no entrosamento entre todos é um exercício prazeroso. Atentar somente à sonoridade é muito sem graça. Por isso, em um concerto, sempre levo em conta tudo. E, creiam, o compositor também interfere no comportamento da orquestra durante a apresentação. Uma orquestra tocando Tchaikovsky é garantia de que os arcos dos instrumentos de cordas serão um espetáculo à parte. Mas quando a obra é de Ravel, bem, aí a coisa já muda. Assistir à orquestra torna-se totalmente sem graça. Volto ao Bolero: quando tiverem uma oportunidade, prestem atenção no comportamento da orquestra que o executa. Dá um pouco de sono nos primeiro 7 e 8 minutos.

Conterrâneo de Ravel, Camile Saint-Saëns é meu compositor francês favorito ao lado de Charles Gounod. Ao contrário do que se viu quando a Orquestra Acadêmica executou Ravel, com Saint-Saëns, os bolsistas, transmitiram à platéia uma potência vibrante. A Sinfonia do Órgão – como é conhecida 3ª sinfonia de Saint-Saëns em virtude de um órgão que sola no final da obra – é uma composição formidável que explora com peculiaridades próprias cada naipe da orquestra. Assistir um conjunto tocando Saint-Saëns é muito prazeroso. O trato com as cordas merece um destaque especial. Toda a extensão musical dos violinos, violas, cellos e contrabaixos é explorada no decorrer da sinfonia. Os efeitos aprazíveis são muitos: desde a sonoridade dos violinos executando uma melodia extensa na corda sol (a mais grave) até às notas agudíssimas que acompanham o piano e o órgão no último movimento da sinfonia. Também os arcos ora castigando as cordas com veemente contundência e ora deslizando por elas como uma pluma… Enfim, o conjunto da obra desperta em quem a assiste um turbilhão de sensações. Se Saint-Saëns se transformasse em um vinho, certamente eu ficaria bêbado.

A música, em especial, tem um poder que é próprio de sua natureza: de registrar em nossas memórias fatos, sensações, sentimentos e pessoas — que podem estar longe ou podem estar ao nosso lado. Quem nunca escutou uma música – não necessariamente erudita – e lembrou de uma pessoa, de uma situação ou de um fato? Lembro-me até hoje como me senti quando conheci a Nona de Beethoven por inteiro. Antes de o coral entrar com o tema mais famoso de toda obra, a orquestra tem uma cadência em tom menor. Essa passagem – que é tocada em pianíssimo – seguida pelo fortíssimo da orquestra e do coral com uma potência majestática conseguiu me tirar por poucos milésimos de segunda da cadeira. Beethoven, aliás, é um compositor que costuma me deixar atônito com muita facilidade.

O Festival de Inverno de Campos do Jordão deste ano se encerra e, admito: que já estou sendo acometido por uma nostalgia. Deve ser porque ainda estou embriagado de Saint-Saëns.

EMBRIAGADO… DE SAINT-SAËNS

10 ANOS DE SALA SÃO PAULO

No concerto em comemoração dos 10 anos da Sala São Paulo houve Villa Lobos e a suíte Pássaro de Fogo, de Stravinsky. Depois disso, eu sustentar que o evento foi um porre seria um oximoro. Não pude ir porque estou em viagem fora de São Paulo, mas assisti a tudo pela TV Cultura.

Agradecimentos

A fala do presidente da Funda Osesp, Fernando Henrique Cardoso, foi enfática ao dar os créditos do prejeto Osesp-Sala São Paulo a Mario Covas. Pois bem. Mas vale lembrar que Covas convidou John Neschling para reger a Osesp depois de Eleazar de Carvalho. E foi Neschling o verdadeiro mentor do ousado projeto que resultou nessa maravilhosa orquestra que temos hoje e na magnífica sala de concertos que já virou referência mundial.

Yan Paschal Tortelier é o atual regente (interino até 2010). Está na Osesp desde a demissão de Neschling, entre o fim do ano passada e o começo deste ano. A orquestra que Tortelier regeu não é fruto de suor seu. A orquestra aplaudida mundo afora e por mais de 2 milhões de pessoas na própria Sala São Paulo não nasceu de um projeto de Covas, FHC e nem do secretário de Cultura João Sayad. A Osesp revolucionária que vemos hoje é resultado de sementes plantadas e regadas por Neschling, grande maestro que, ontem, não recebeu os devidos créditos – apenas um “obrigado” de FHC.

Continuamos a ser ingratos com os grandes homens.

10 ANOS DE SALA SÃO PAULO

RESPOSTAS A ALGUNS HERBÍVOROS

Durante o período de inatividade do blog, alguns herbívoros humanos – se é que me entendem – resolveram dar plantão na área de comentários do blog. Quebraram a cara! Nada aqui vai pro ar sem antes passar por minha moderação. Censura? Não, não é censura. Primeiro porque meu blog é propriedade privada, não é Estado. Segundo, não é censura; é mata-burro (pesquisem o que é isso).

Mas, como vocês sabem, sou um homem bom. Vou registrar aqui aquilo que alguns oriundos de sei lá onde postaram. Os leitores habituais deste blog conhecem como costumo tratar essa gente. Mas, neste fim de domingo, depois de tomar um café no aeroporto (não fazia isso há meses), serei benévolo com essa turminha. Eles em azul; eu, em vermelho.

Vou começar por uma leitora de nome Sandra, que criticou meu posicionamento sobre Villa Lobos. Lá vai.

Nunca vi tanta besteira dita de um so golpe. Quando Villa Lobos compos as Bachianas, e isso nao saiu assim do nada, foi um trabalho elaborado, construido com muito estudo e , ele estaria dando na verdade alem de uma homenagem a Bach, uma grande prova de nossa competencia musical, que na epoca somente o poderosos diziam dominar – o concepto de erudito, ficou assim colocado em cheque.

E eu nunca vi tanta pontuação errada colecionada em um único parágrafo. E vou perdoar o cheque com ch.

Villa lobos foi um musico absolutamente popular, pesquisou na raiz a musica que abastecia o imaginario popular. Foi direto na pele de pessoas de diferentes lugares de norte a sul do Brasil, conviveu com a emocao que lhes brotava do corpo, nos momentos de trabalho e festa. Fes um verdadeiro trabalho etno y sociomusicologico que todavia até hoje nao foi devidamente reconhecido e valorizado.

Como sabem, tendo sempre a desconfiar de tudo o que é absolutamente popular. O mundo midcult costuma me decepcionar. Fico com a hype mesmo. Já expus os motivos que me levam a considerar Villa Lobos um grande compositor…caipira; não erudito. Vocês podem ler tudo aqui. Não vou repetir minhas razões. Costumo ser repetitivo somente quando a partitura tem bastantes barras de repetição.

Ele criou dessa vivencia apoiado na ideologia musical da epoca que se dizia “inacessivel2 a maioria dos brasileiros. Para mim, foi um genio, nunca perdendo a simplicidade, foi um grande homem, aliás nunca deixou de ser humano, de carne e osso, quando a música orquestrada era ainda considerada uma producao divina, um dom de poucos.

Portanto, considero que o produtor do texto tem uma importante tarefa para os próximos anos, si lhe for possível. rever conceitos urgentemente, para nao inundar outras pessoas com tanto desconhecimento de fato.

Em nenhum momento ataquei o homem Villa Lobos. Apenas apontei por A+B que as obras de Villa Lobos se comparadas com os padrões de composição são uma piada. Todas as sinfonias de Villa são consideradas obras sem padrão orquestral. Seus concertos são praticamente esquecidos – claro, são lixos. Ou seja, em sinfonias e concertos, os dois estilos de composição que são mors na música erudita, Villa Lobos fracassou.

Outro leitor, Carlos Gomes, também resolver dar uns pitacos.

Vá crescer musicalmente e conhecer o que a musica erudita representa hoje em dia, principalmente compositores brasileiros reconhecidos internacionalmente aí sim depois você posta algo que preste certo…? Essa postagem aí é ignorável, só demonstra juízo de gosto… Profissionalmente irrelevável! então…

Sim, boa parte dos europeus adora Villa Lobos. Mas, vale lembrar: também adora Paulo Coelho. Pra mim, Paulo Coelho está pra literatura assim como Villa está pra música erudita.

Outra coisa, caro Carlos, não vou ignorar tua recomendação pra que eu cresça na música. Embora não seja músico profissional  — e nem desejo ser, optei por outra carreira — já toco bastantes instrumentos: piano, trompete, trompa, trombone de vara, tuba e, agora, aprendendo fagote. Tentei violino, mas admito minha inabilidade para instrumentos de cordas. Resultado de 11 anos de estudo.

Mais um leitor. Esse assina como Satanás. Óbvio que não é o próprio. Lúcifer era anjo inteligente, e não mesquinho. Vejam o que manda o infeliz.

Que bicho mais fresquinho!!! Então se muda para Europa, fresquinho de merda

Satanás jamais usaria o termo “fresquinho”. Ele é muito macho pra isso.

RESPOSTAS A ALGUNS HERBÍVOROS