Com o patrocínio da ditadura

Graças a uma módica quantia de R$ 10 milhões da ditadura da Guiné Equatorial, governada com mão de ferro há 35 anos por Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, a Beija-Flor foi a grande campeão do Carnaval do Rio de Janeiro. A ONG Anistia Internacional tem várias denúncias contra Mbasogo, acusado de tortura, prisões arbitrárias e violações aos direitos humanos.

Quem sabe no ano que vem nossos carnavalescos não optem por fazer uma bonita homenagem ao Estado Islâmico. Basta que os decapitadores, os sequestradores de crianças, os vendedores de escravas sexuais e aqueles que ateiam fogo em pessoas vivas mandem um bom cascalho pra cá.

Com o patrocínio da ditadura

PORRE

Ai, que preguiça. Falar mal do Carnaval é quase tão insuportável quanto o próprio Carnaval. Fico cá com meus zíperes a matutar sobre o que leva a essa gente do balacobaco tanta empolgação. Nunca nada muda! É sempre o mesmo ziriguidum, o mesmo bundalelê. Comentarias das transmissões insistem em nos fazer acreditar que os enredos são composições artísticas cuja poesia revela nossa subantropologia. E dá-lhe aquela bateria toda! Tum-ba-ba-ba-tim-bum e paniticambá – em compassos quartenários, evidentemente. Os cantores, sempre seu gingado similar ao balançar de um pêndulo, provocam espasmos em suas laringes afim de produzir o costumeiro timbre barítono – risos! – berrado. E como suam, meu Deus; como suam!

Como se não bastasse o Carnaval ele-mesmo, a cobertura da festança nos brinda com a exposição da metafísica carnavalesca. O objetivo é claro: despertar em nós o frêmito de sair por aí rodopiando ao som das batucadas e a sacolejar o traseiro para lá e para cá. Vocês sabem: nossas raízes, nossa brasilidade, nossa gente… Sempre dão um jeitinho de colar santo disso e santo daquilo em algum momento da festa. E claro, a mãe maior também não pode ficar de fora – assim como o comando “tira o pé do chão” (assim, ignorando a forma correta de um verbo no imperativo).

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