O cúmulo da ingenuidade: acreditar no fim da corrupção

A ampla maioria das pessoas que tenta desqualificar as manifestações contra o governo recorre à desculpa que os manifestantes dão por estarem nas ruas: todos querem o fim da corrupção.

Isso é de uma ingenuidade supina, obviamente. Não que o desejo não seja legítimo. Quem de nós não quer um mundo justo, belo e perfumado, não é mesmo? Ocorre que, para que isso se viabilize, o Estado brasileiro teria de ser refundado. Missão impossível, claro. Depois de mais de meio milênio de patrimonialismo (leiam Os Donos do Poder, de Raymond Faoro; é leitura obrigatória a quem quer entender o Brasil), acreditar que um simples impeachment resolve tudo é um brinde à asnice.

A corrupção sempre existiu. Antecedeu Dilma, Lula, FHC, Itamar, Collor, a ditadura.. O PT foi — e é — o partido mais criticado por dois grandes motivos.

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O cúmulo da ingenuidade: acreditar no fim da corrupção

Um escárnio

Vejam que coisa curiosa.

Lula, Dilma, José Eduardo Cardozo, Jaques Wagner, Rui Falcão (presidente do PT, que, em seu Twitter, chamou os manifestantes da Paulista de cochinhas — isso mesmo, com “ch”) e outros da camarilha sempre se ensoberbeceram com o fato de que o partido, desde que assumiu o comando do País, conferiu à Polícia Federal e ao Judiciário ampla liberdade para apurar os malfeitos do Brasil.

Seria, inclusive, em razão desse fenômeno que nunca antes na história deste País fez-se tanto em termos de Justiça e blá blá blá.

Não vou entrar nesse mérito. Até porque liberdade de investigação e de inquérito não são garantidas por governos, mas sim pela Constituição. “Mas antes havia Engavetador-Geral da República”, dizem, em alusão a todos os processos de privatização e escândalos dos anos FHC. O curioso é que, mesmo empunhando o estandarte da liberdade de investigação das instituições, nem Lula nem Dilma foram fuçar na caixa preta das privatizações. Poderiam? Sim, poderiam!

Certa vez, compelida a responder sobre isso, Dilma saiu-se com a desculpa de que seu “governo respeita os contratos”. Engraçado que esse mesmo respeito foi mandado às calendas no episódio da renovação das concessionárias de energia, por exemplo. E o preço — altíssimo, por sinal — vem sendo pago pela população desde o fim do ano passado, com um aumento escorchante nas contas de luz.

Ou, sim: Lula e Dilma foram lá perscrutar algo de tenebroso das privatizações de FHC, mas nada encontraram de desabonador.

Ou é uma coisa (omitiram-se) ou é outra (não acharam pelo em ovo). Não há terceira via.

Desviei do foco.

Adiante…

Pois bem, o PT, que, como disse, sempre ostentou orgulho por conferir ampla liberdade de investigação às instituições, agora quer colocar Lula em um ministério. O objetivo: minar o poder de investigação dessas mesmas instituições que, na palra petista, foram beneficiadas nos anos Lula-Dilma. Com o molusco virando ministro, em tese, Sérgio Moro teria de remeter o processo de enriquecimento ilícito do ex-presidente ao STF, em razão do ganho de foro privilegiado. Tudo ficaria mais lento.

Lula poderia safar-se.

Lula poderia acabar bem.

Em vez de ir para o xilindró, que é o seu lugar, enraizar-se-ia no Planalto, embolsando cerca de R$ 35 mil ao mês.

É o PT usando o governo para livrar um criminoso da cadeia.

Quem são mesmo os paladinos da liberdade de investigação?

Um escárnio!

Um escárnio

Accidie

Eu ando mergulhado em uma preguiça profunda nesses tempos de Lava-Jato. A internet é, ao mesmo tempo, boa e ruim. Boa porque dá acesso a mais pessoas a um maior volume de informações; e ruim porque, em contrapartida, democratiza a asnice. A sociedade em rede virou um lugar em que as pessoas se encontram coletivamente para imbecilizar umas às outras, salvo raríssimas exceções.

Isso tudo me levou a um estado de accidie — profundo desinteresse por todas as questões de que deveriam sublimar minha atenção. O que eu ganho com isso? Simples: não me irrito.

Não tenho contato com aqueles textões horrorosos, cheios de vírgulas indevidas entre sujeitos e verbos, em que os pensamentos ficam desesperadamente em busca de uma conclusão que nunca chega. Uma ideia primeira abre uma segunda. À espera da terceira, que, em tese, arremataria as anteriores, vêm anacolutos soltos, dispersos. E o leitor, coitado, fica ali, lendo aquela geringonça, não entendendo nada, achando que sua inteligência não alcança o raciocínio do autor.

O caso da babá negra levada à manifestação por seus patrões para que ficasse cuidando de seus filhos foi emblemático. Houve gente dizendo que a escravidão no País não havia acabado (ai, que sono!). Outros anotaram que os patrões, brancos, levando uma empregada negra para trabalhar naquele ato deslegitimaria o espírito da manifestação (já dormi!).

À medida em que os absurdos se acumulavam na timeline do Facebook, minha preguiça se expandia exponencialmente.

Lula pode ser preso qualquer dias desses. O que é uma pena que isso ocorra só agora. Já era pra ele estar vendo o sol nascer quadrado há muito tempo. Só fico cá pensando em quanto esse fato potencializará todo o poder de análise dos “colunistas de Facebook”.

Por isso fico com minha accidie. Não sofro decepção.

Accidie

Eles querem sangue

Olho por olho e a humanidade acabará cega. A frase de Mahatma Gandhi deveria ecoar pela cabeça baldia do ex-presidente em exercício, Lula, e de seus asseclas. Na semana que se passou, petistas promoveram na ABI (Associação Brasileira de Imprensa), no Rio de Janeiro, um ato em favor da Petrobras. Pessoas que, assim como a maioria dos brasileiros, estão enfadadas pela sequência inesgotável de patuscadas ocorridas no País, resolveram protestar nas proximidades, levando à memória dos presentes a incômoda realidade do País e pedindo um “Fora, Dilma”. Resultado: militantes do PT as espancaram, botando-as para correr.

Miliciano petista põe manifestante pra correr na base do pontapé
Miliciano petista esmurra manifestante

Vocês entenderam? Eles, petistas, podem fazer ato em defesa da Petrobras – que triste fim o da empresa: manifestam-se em seu favor justamente aqueles que a destruíram e continuam a esmorecê-la –; quem ousa lhes apontar o dedo, lembrando que foram justamente os petistas os responsáveis por tudo, aí não pode, aí é crime. Porrada e pontapé devem ser a resposta.

Como se isso não bastasse, em seu discurso inflamado, Lula conclamou a militância a não baixar a cabeça. “Quero paz e democracia, mas também sabemos brigar. Sobretudo quando o [João Pedro] Stedile colocar o exército dele nas ruas”, disse. Não ornam, em uma mesma frase, as palavras “paz” e “democracia” com “exército de Stedile”, um salafrário que capitaneia Brasil afora invasões a propriedades privadas via métodos notadamente violentos. Ao se aliar ao chefe do MST, Lula assume objetivamente que está disposto ao confronto às últimas consequências. Ora, não foi Stedile que prometeu uma “guerra” se Aécio ganhasse as eleições?

Miliciano petista agredindo manifestante. Seu crime: não pensar como Lula e achar que a Petrobras está um mar de rosas
Manifestante sendo agredido. Seu crime: falar a verdade sobre o PT. 

Também tomado pelo espírito combativo de Lula, o presidente do PT-RJ e prefeito de Maricá, Washington Quaquá, postou em seu Facebook: “Contra o fascismo a porrada! Não podemos engolir esses fascistas burguesinhos de merda! Tá na hora da militância e dos petistas responderam (sic) esses fdps que dão propina ao guarda, roubam e fazem caixa dois em suas empresas, sonegam impostos dão uma de falsos moralistas e querem achincalhar um partido e uma militância que melhorou (sic) a vida de milhões de Brasileiros. Vamos pagar com a mesma moeda: agrediu, devolvemos dando porrada!”

Dá-me nojo todas as vezes que ouço pessoas defendendo o PT ancorando-se no argumento de que o partido mudou a vida dos brasileiros mais pobres, como se isso fosse um salvo-conduto para a prática de crimes, assaltar a República, praticar estelionato eleitoral, assenhorear-se da máquina do Estado, corromper o Poder, fazer proselitismo chulo, incitar violência contra oposicionistas… Os pobres deveriam se sentir aviltados cada vez que essa gente os usa como massa de manobra para justificar seus malfeitos.

Questionado se não ultrapassou os limites da civilidade, Quaquá conseguiu piorar tudo. “Sou sociólogo e professor. Nasci na favela. Falo a linguagem do povo. Não estamos defendendo que o PT saia dando socos e porradas sem motivo, mas, se derem o primeiro soco, devemos responder com dois.” As pessoas decentes que moram em favelas têm o dever moral de condenar a fala desse senhor. Quer dizer que o fato de ter sido favelado o credencia a fomentar um banho de sangue? Então quem nasce em favela é, consequentemente, adepto do olho por olho, literalmente? Faça-me um favor!

Essa gente já fez muito mal ao País. Se eles nos abordam com socos e pontapés, nossa resposta continuará pautada pela lei e pela ordem. Se querem guerra com derramamento de sangue (porque é isso que o exército do MST, convocado por Lula, faz de melhor), nossa luta continuará se dando no campo das ideias e da reivindicação de um Estado livre dessa gentalha.

Dia 15 de março, a resposta será dada à altura!

Eles querem sangue

PT E LULA, DEMOCRÁTICOS? FAZ-ME RIR!!!

Os petistas foram capazes de transformar tudo aquilo que julgavam danoso ao País em virtudes suas. Sequestraram o Brasil dos brasileiros. Passaram a borracha na história recente e a reescreveram a seu modo. Quem foi FHC? Ah, um Zé-Ninguém. Quem foi Lula? O homem que tirou o Brasil da miséria. Que foi FHC? Ah, aquele que entregou o patrimônio público do País ao capital a preço de banana. Quem foi Lula? Ora, um grande estadista. Quem foi FHC? Ah, foi aquele, do apagão elétrico. Que foi Lula? O da autossuficiência da Petrobras (o que é uma mentira, registre-se). Quem foi FHC? Ah, aquele que praticou genuflexão perante os americanos e retirou seus sapatos no aeroporto, uma humilhação nacional. Quem foi Lula? Ah, aquele que conquistou respeito internacional e não baixou a cabeça pros imperialistas (argh!). Quem foi FHC? Um intelectual esquerdista de meia-tigela que no início de seu governo se rendeu ao conservadorismo do PFL em nome da governabilidade. Quem foi Lula? Ah, foi o grande progressista que se aliou até a José Sarney — tudo tendo em vista o bom andamento do País, claro.

Eis aí a coleção de absurdos cultivada em dez anos de petismo no poder. Claro que isso não se deve somente à habilidade do PT de falsear os fatos e submete-los a torções mil. As oposições, inépcias, também devem ser chamadas à razão. Parece que só agora, depois de uma década, alas do PSDB pretendem fazer um resgate histórico dos feitos de FHC. Às vezes me dá uma saudade danada de Mário Covas…

O PT remodelou a história. Foram muito bem habilidosos nessa sina. Como o projeto de poder dessa gente é eternizar-se na suserania do Brasil, fizeram o que lhes aprouveram para o êxito: desconstruíram com inverdades o discurso dos adversários, às vezes, apelando à truculência. Quem não se lembra do senhor Luís Inácio Lula da Silva apregoando a extinção do DEM em Santa Catarina? Agora, no entanto, há um novo imperativo na praça. Aquilo que Lula disse ser uma farsa, aquilo que o PT sustentou ao longo dos últimos anos não passar de caixa dois de campanha está devidamente provado e nominado: existiu o mensalão, sim, e seu objetivo era dar um golpe na República. Doravante, urge, mais do que nunca, que a máquina de escrever do PT encontre meios para editar mais esse episódio da cena política brasileira. Os meios aos quais se socorrerão para isso já estão, em parte, definidos: cortes internacionais, desestruturar as decisões dos ministros do STF com base em teorias de juristas de outros países, demonizar a imprensa e regulamenta-la, preparar a militância para pressionar imprensa e STF no julgamento do mensalão mineiro, apresentar José Dirceu como mártir, construir um elo entre as sentenças do Supremo e um suposto preconceito das tais elites – como se o primeiro elemento derivasse do segundo. E por aí vai.

Querem saber de uma coisa? Novamente, eles têm tudo para, mais uma vez, sobrepujar as verdades factuais. A nota da executiva nacional do PT é uma declaração de guerra. Todos os componentes, todos os indícios, toda a astúcia do partido para reverter o dano à sua imagem estão ali. Impressionantemente, como sempre, a oposição assiste passível a esse show de horrores, silenciosa, inapta, incapaz de mostrar à sociedade o quão nocivo é às instituições e à própria democracia o processo iniciado pelo PT. Cadê Aécio Neves, o senador promessinha? Cadê Sérgio Guerra? Onde está Roberto Freire? Não se ouve a indignação de Agripino Maia. Por quê? A sempre mui vigilante imprensa, onde está? O perigo da regulamentação dos meios de comunicação é real. O PT, que vive tachando os veículos de “mídia elitista” e “golpista”, recorre a eles para legitimar suas opiniões. A Folha, por exemplo, dá voz a essa turma no seu espaço Tendências e Debates. Até que ponto é saudável um jornal vocalizar aspirações cujos interlocutores querem mais é ferrar a… imprensa?

Por que ninguém vocifera? Os sindicatos estão nadando no dinheiro. Devem eterna gratidão a Lula, que não acabou com esse vergonha que é a contribuição sindical compulsória, garantindo às entidades milhões e milhões de reais anualmente. A UNE, aparelhada pelo PC do B, vez por outra recebe um dinheiro oficial. As ONGs, idem. A quem resta, portanto, jogar luz sobre os fatos e não permitir que sejam obnubilados pela metafísica reinante do PT? A quem ficará o papel de arauto do alerta de que o povo entregou ao PT o direito de governar o País, mas não o de violar o Estado, não o de reescrever o passado à custa do futuro. Quem? Sinceramente, não sei.

Os construtores da democracia

No post abaixo deste, publico um vídeo em que o deputado petista José Guimarães declara que criminalizar o Lula é “criminalizar a democracia brasileira”. Nem nos Estados Unidos, país no qual vigoraram por anos e anos as leis de segregações raciais, um político ousaria dizer que “criminalizar Obama é atentar contra a democracia”. Pouco importa a cor da pele do presidente. Lá, o direito de divergir e o de apontar erros não é submetido a esse tipo de cretinice. Por aqui, se alguém ousar chamar Lula pelo nome que merece (mentiroso, prosélito, ignorante, autoritário) vai para a pira. Fernando Henrique Cardoso, por ser intelectual, pode receber chibatada; Lula, que deliberadamente decidiu não estudar, não. Seria preconceito!

Se o PT reivindica a si o papel de precursor de nossa democracia e exibe como exemplo a biografia do ex-terrorista José Dirceu e do ex-presidente Lula, devemos questionar: até que ponto isso tudo é verdade? Se esse é o meio encontrado por eles para minar o cenário pós-mensalão, então é preciso que sejam colocados alguns pingos nos “is”. Alguns fatos que mencionarei a partir daqui já foram tema de posts deste blog. Os arquivos estão aí. Consultem.

Então o PT e Lula são os pilares de sustentação da democracia brasileira? Convido-os a voltar a 1988, ano em que petistas se recusaram solenemente de participar da sessão que chancelou nossa Constituição.

 Então o PT e Lula são os pilares de sustentação da democracia brasileira? Airton Soares, José Eudes e Bete Mendes são vítimas dessa tal democracia petista. Os três, deputados, à época, foram expulsos do partido só porque participaram do Colégio Eleitoral responsável pela eleição de Tancredo Neves. Mais: Luíza Erundina, apenas por ter aceitado participar do governo Itamar Franco como ministra da Administração, também foi expulsa do PT.

Então o PT e Lula são os pilares de sustentação da democracia brasileira? O que há democrático em desejar a desestabilização econômica do Brasil? Remeto-vos à aprovação do Plano Real, responsável por colocar nossa economia nos trilhos. O PT se mobilizou fortemente para votar CONTRA o projeto. O mesmo ocorreu com o Proer, as privatizações – responsáveis por enxugar a então pesada máquina pública e dar, hoje, uma média de dois telefones celulares na mão de cada brasileiro –, e a Lei de Responsabilidade Fiscal.

Então o PT e Lula são os pilares de sustentação da democracia brasileira? Os oito anos de Lula à frente do País foram marcados pelas fortes e constantes investidas contra os direitos individuais amparados pela Constituição. Sigilos bancário, fiscal e telefônico etc… Tudo foi para o beleléu. Foram vítimas disso o humilde caseiro de Antônio Palocci e nomões da oposição.

Então o PT e Lula são os pilares de sustentação da democracia brasileira? Que raio de democracia é essa que cotidianamente quer aniquilar a liberdade de imprensa? Lula, quando presidente, deu incentivos à realização de inúmeras conferências que tinham por objetivo justamente isso: cassar a liberdade de imprensa. O Conselho Federal de Jornalismo, a tal regulação dos meios de comunicação e dispositivos de censura prévia contidos no Plano Nacional de Direitos Humanos são exemplos disso.

Então o PT e Lula são os pilares de sustentação da democracia brasileira? Foi o governo do PT que se utilizou das estruturas do Estado para confeccionar dossiês contra adversários políticos. Objetivo: arruinar suas candidaturas. O dossiê dos aloprados buscava culpar José Serra de algo que não fez; o da Casa Civil, de desmoralizar Fernando Henrique Cardoso e Ruth Cardoso.

Então o PT e Lula são os pilares de sustentação da democracia brasileira? Amigão de Lula, Ahmadinejad certamente concorda. Sua ditadura sempre recebeu solidariedade de nossa diplomacia. Já os presos políticos de Cuba – que só estão presos porque não podem exprimir o que pensam — talvez discordem. Compara-los a criminosos comuns, tais quais os que estão atrás das grades aqui em São Paulo, como fez Lula, não caiu bem. Outros que talvez também não achem Lula tão democrático assim sejam os boxeadores cubanos que fugiram da ditadura de Cuba ao Brasil. Foram devolvidos aos irmãos Castro pelas mãos de… Lula

Então o PT e Lula são os pilares de sustentação da democracia brasileira? As Farc, que até hoje não foram chamadas por aquilo que merecem pela nossa diplomacia, também podem concordar. A resistência do PT de qualificá-los como terroristas que são é comovente. Por falar em terrorismo: a Itália deve discordar de que Lula seja tão democrata assim. A razão disso: Cesare Battisti.

Então o PT e Lula são os pilares de sustentação da democracia brasileira? Que tal lembrar o que fez nosso grande democrata para financiar a compra da Brasil Telecom pela Oi? Mudou-se a Lei de Telecomunicações ao sabor da conclusão dos negócios. Nota à margem: a Oi é a ex-Telemar, empresa com a qual Lulinha tinha vínculos profundos.

Então o PT e Lula são os pilares de sustentação da democracia brasileira? Vamos, então,  finalmente,            falar do mensalão? Quem melhor definiu esse episódio da política brasileira foi Celso de Mello, decano do STF, em seu voto histórico sobre o caso. Pinço alguns trechos.

“Quero registrar,  neste ponto, Senhor Presidente,  tal como salientei em voto anteriormente proferido neste Egrégio Plenário, que o ato de corrupção constitui um gesto de perversão da ética do poder  e  da ordem jurídica, cuja observância se impõe  a todos os cidadãos desta República  que não tolera o poder que corrompe  nem admite o poder que se deixa corromper”.

“Este processo criminal  revela a face sombria daqueles que,  no controle do aparelho de Estado,  transformaram a cultura da transgressão em prática ordinária  e desonesta de poder, como se o exercício das instituições da República pudesse ser degradado a uma função de mera satisfação instrumental  de interesses governamentais e de desígnios pessoais”.

“A conduta dos réus, notadamente daqueles que ostentam  ou  ostentaram funções de governo,  não importando se no Poder Legislativo ou no Poder Executivo, maculou o próprio espírito republicano”

“O fato é um só, Senhor Presidente: quem tem o poder e a força do Estado, em suas mãos, não tem o direito de exercer, em seu próprio benefício, a autoridade que lhe é conferida pelas leis da República”.

“A corrupção deforma o sentido republicano de prática política, compromete a integridade dos valores que informam e dão significado à própria ideia de República,  frustra a consolidação das instituições,  compromete a execução de políticas públicas em áreas sensíveis  como as da saúde, da educação, da segurança pública e do próprio desenvolvimento do País, além de afetar o próprio princípio democrático”.

“Esses  vergonhosos atos de corrupção parlamentar (…) devem ser condenados e punidos com o peso e o rigor das leis desta República, porque significam tentativa imoral e ilícita de manipular,  criminosamente, à margem do sistema constitucional, o processo democrático,  comprometendo-lhe a integridade,  conspurcando-lhe a pureza  e suprimindo-lhe os índices essenciais de legitimidade,  que representam atributos necessários para justificar a prática honesta e o exercício regular do poder aos olhos dos cidadãos desta Nação”.

Caminhando para o desfecho

Eis aí, meus caros, alguns fatos que demonstram toda essa vocação democrática que o PT finge ter e à qual recorrerá para satisfazer seu intento. A partir de agora, claro, nada disso virá à baila. Em nome da causa – tornar alvas as reputações dos condenados no mensalão – maquiarão a história, recorrerão à mentira, tentarão destruir reputações, construirão alianças escusas e tudo mais que conflua para que os objetivos se concretizem. Já fizeram isso antes. Farão agora.

Usarão a democracia não para o bem comum. Mas em causa própria. Como sempre.

PT E LULA, DEMOCRÁTICOS? FAZ-ME RIR!!!

LULA, PEÇA PERDÃO!

Lula deve um solene pedido de desculpas à nação brasileira. Não o fará, claro, porque arrogante ao extremo de concluir que, ora, quem somos nós para merecermos uma elucidação? A praça está para o povo como o povo está para o PT. E pronto! A que se devem as desculpas? A resposta está em outra pergunta: quem até ontem, usando de todo o poder de suas influências política e popular proclamava aos quatro cantos que o mensalão nunca existira, que tudo nunca passou de uma “conspiração da imprensa” e das “forças conservadoras” interessadas em urdir contra um “governo popular”?

Essa ladainha, impiedosamente desfeita e descortinada pelos ministros do Supremo ao longos dos últimos dias, retumbou aqui e acolá, sempre prodigalizada como um estribilho pelas franjas do petismo. No centro disso tudo, como não é segredo a ninguém, o próprio Lula.

Ao longo dos últimos sete anos, esse senhor se utilizou de todas as licenças lhes concedidas pela sociedade – essa mesma sociedade que, sabe-se lá por qual razão, vê poesia em suas besteiras. No seu auge, inesquecível, filosofou, dando conta de que há aquecimento global porque a Terra tem forma esférica (os demais planetas são retangulares, ovais ou triangulares. Por isso não há aquecimento em Netuno). Ah, e em um de seus corriqueiros atos de auto-piedade-redentedora, chegou a dizer a empresários norte-americanos que ele, Lula, SEM UM DEDO NA MÃO, fez mais que Steve Jobs e Bill Gates. Uau!

O benefício de não ser questionado pelas tolices mil que profere não é exclusivo de Lula. Isso é essencial para entender um tiquinho o espírito do nosso tempo. Nunca, atenção, NUNCA as esquerdas do Brasil se viram confrontadas com ideias contrárias. Como sempre reivindicaram para si o fardo da luta contra a ditadura, tornou-se, digamos, pro forma prestar-lhes uma certa deferência, inda que mínima ou sem motivo. Desse cenário confluiu um corolário: toda esquerda é necessariamente boa; e toda direita, necessariamente ruim. A primeira porque se opôs à repressão; a segunda, porque era a repressão. Se a ditadura brasileira era de fato de direita pode-se debater. Mas isso é assunto para mais de metro.

Adiante.

Pois bem. O mensalão existiu. Está provado. Uma quadrilha tomou de assalto os cofres públicos a fim de comprar apoio político no Congresso Nacional e garantir monopólio das decisões da casa. Isso era um projeto de poder. Suplantando a autonomia e soberania do Legislativo mediante pagamento feito com dinheiro público, garantir-se-ia condições suficientes para  que o núcleo duro do PT fizesse neste País o que bem entendesse. Como resumiu o ministro Ayres Britto: golpe, isso sim, é o que essa gente queria aplicar no Brasil. Um golpe de lesa democracia.

Cadê Lula para explicar-se, agora? Por que esse senhor não vem a público e abrilhanta o cenário posto com suas falácias de sempre? Simples: porque é um mau caráter.

Aviso aos navegantes: não tenho medo de patrulha.
Repito: Lula é um mau caráter.

José Dirceu, amigão de Lula, logo após ter sido confirmada sua condenação, emitiu uma nota. Aliás, nota não; uma carta aberta ao povo brasileiro. Nela, mostrou a arrogância típica de um genuíno petista, a qual nunca reconhecerá quaisquer máculas em sua história, mesmo que pra lá de evidentes. Em seu devaneio, faz menção aos anos de chumbo do Brasil e à sua (dele) contribuição patriótica.

Escreveu: “No dia 12 de outubro de 1968, durante a realização do XXX Congresso da UNE, em Ibiúna, fui preso, juntamente com centenas de estudantes que representavam todos os estados brasileiros naquele evento. Tomamos, naquele momento, lideranças e delegados, a decisão firme, caso a oportunidade se nos apresentasse, de não fugir. Em 1969 fui banido do país e tive a minha nacionalidade cassada, uma ignomínia do regime de exceção que se instalara cinco anos antes. (…) Lutei, ao lado de tantos, pela conquista da democracia. (…) Na madrugada de 1º dezembro de 2005, a Câmara dos Deputados cassou o mandato que o povo de São Paulo generosamente me concedeu. A partir de então, em ação orquestrada e dirigida pelos que se opõem ao PT e seu governo, fui transformado em inimigo público numero 1 e, há sete anos, me acusam diariamente pela mídia, de corrupto e chefe de quadrilha. (…) Hoje, a Suprema Corte do meu país, sob forte pressão da imprensa, me condena como corruptor, contrário ao que dizem os autos, que clamam por justiça e registram, para sempre, a ausência de provas e a minha inocência. (…) Lutei pela democracia e fiz dela minha razão de viver. Vou acatar a decisão, mas não me calarei. Continuarei a lutar até provar minha inocência. Não abandonarei a luta”.

Vamos à verdade nua e crua. José Dirceu lutou contra a ditadura? Sim, é verdade, lutou. Lutou pela democracia? Vênia máxima, NÃO, NÃO LUTOU. Pelejou, sim, por uma ditadura comunista, aos moldes do que vemos em nossa vizinha Cuba e na longínqua Coréia do Norte. Essa gente fala em democracia, a põe na vitrine, exalta suas qualidades, no entanto, a vileza de suas escamoteadas pretensões deixa claro o verdadeiro valor que nutrem pela democracia: seria ela um meio para atingir um objetivo, ainda que, para isso, tenha que se usar dos benefícios da própria democracia e mais adiante faça-se necessário solapa-la. José Dirceu defendeu a democracia? Pois onde estão os escritos, os discursos, os documentos que davam baliza às suas lucubrações tão democráticas? Eu tenho a resposta: não estão em canto nenhum, porque simplesmente não existem.

Em seu texto, Dirceu afirma que não se calará e que a luta não será abandonada. Como assim, Pedro Bó? A que outra instância esse senhor pensa que pode apelar? Se vai “lutar” contra uma determinação da mais alta corte do País, o que esperar de seu intento? Ora, está na cara que, para construir sua imagem de mártir, enveredará pelo caminho do populismo, mobilizando as massas de manobra que o PT tão bem aprisionou sob suas asas, seja distribuindo dinheiro público mediante programas sociais de transferência de renda, seja por financiamentos a ONGs ou ainda aos empréstimos camaradas do BNDES subsidiados pelo Tesouro. O que veremos nas próximas semanas é uma mobilização cujo intento não será outro senão criar a sensação de que o que houve no Supremo foi um julgamento de exceção, sem respaldo democrático, cujos interesses atendidos foram tão-somente os da, de novo, imprensa, oposição e da elite. É de dar nó no estômago.

Como se isso não bastasse, a executiva nacional do PT emitiu uma nota de apoio aos companheiros condenados. Tudo muito lógico nesse admirável mundo petista. Não caem nunca em contradição com seus próprios valores. Vejamos: José Roberto Arruda tomou panetones por propina. À iminência da expulsão do DEM, renunciou. Demóstenes Torres fez pipi fora do penico ao envolver-se com Carlinhos Cachoeira. Foi expulso do DEM. José Dirceu, José Genoíno e Delúbio Soares foram condenados por crime de corrupção ativa (ainda falta ser julgado do de formação de quadrilha). O PT emite nota de apoio. Essa gente nunca escapa à pequenez dos próprios códigos morais.

O que se vê no documento divulgado pelo partido é, em suma, uma leitura autoritária e enviesada do atual processo de eleição em São Paulo, submetendo-o a uma torção dolosa às instituições do País e à democracia. O texto se inicia agradecendo aos brasileiros pelos votos confiados nos candidatos do partido. Tem-se a impressão que a intenção da nota é essa pueril, mesmo: somos gratos a todos pela confiança em nós depositada. Mas por que cargas d’água foram ser tão entusiasmados justamente no dia em que seus mais próceres correligionários foram condenados pelo STF? A resposta está no seguinte parágrafo:

“Nosso desempenho nas eleições municipais ganha ainda maior significado, quando temos em conta que ele foi obtido em meio a uma intensa campanha, promovida pela oposição de direita e seus aliados na mídia, cujo objetivo explícito é criminalizar o PT. Não é a primeira, nem será a última vez, que os setores conservadores demonstram sua intolerância; sua falta de vocação democrática; sua hipocrisia, os dois pesos e medidas com que abordam temas como a liberdade de comunicação, o financiamento das campanhas eleitorais, o funcionamento do Judiciário; sua incapacidade de conviver com a organização independente da classe trabalhadora brasileira. Mas a voz do povo suplantou quem vaticinava a destruição do Partido dos Trabalhadores”

Entenderam? O PT ainda acha que urna é tribunal e tem o poder de absolver condenados. O que querem dizer implicitamente é que se Haddad vencer a eleição de São Paulo, o partido ganha força para pôr por terra os grupos que julgam ser sectários da causa petista. É como se a eleição de Haddad tivesse o poder de alvejar o negrume na reputação do partido. Pura besteira! Recorramos à História: Nixon foi reeleito pelo povo, mas teve de renunciar por erros cometidos em seu primeiro mandato. Foi reeleito pelo povo, mas deposto pelas instituições.

Uma nota asquerosa dessas, em todos os sentidos, só pode deixar clara uma coisa: vem chumbo grosso neste segundo turno. A imprensa, as oposições, o Judiciário e quaisquer pessoas que divirjam do que quer o PT estarão sob feroz vigilância. Se qualquer um desses “inimigos” ousar contra o partido, uma rede mobilizada por-se-á imediatamente em serviço da causa. Eles estão em todos os cantos: nas redes sociais, na imprensa progressista, no colunismo camuflado, nas universidades, nas ONGs, nos sindicatos etc. Todos os dias vão às ruas dispostos a matar a honra alheia e a morrer – mais matar do que morrer—pelo que defendem. Essa gente se usará de toda artimanha para tomar a cidade de São Paulo e usar essa eventual vitória como elemento de redenção.

Espero que naufraguem.

LULA, PEÇA PERDÃO!

O IDEÁRIO DE LULA, UM MAL A SER COMBATIDO

Dia após dia, sem fatigamento, as empulhações de Lula precisam ser combatidas.   Elas fazem mal ao País, molestam as instituições, menosprezam o Estado Democrático de Direito e subjugam todos nós. Esse senhor causa-me asco. Sim, queridos, asco! Se me perguntarem “você gosta do Lula?”. Não, não gosto – será minha resposta. “Você admira Lula?”. Não, não admiro. Digo e repito tudo isso quantas vezes se fizerem necessárias. Sei que em tempos em que o “povo” – sim, o povo no sentido abstrato, aquele cuja definição de Freud foi ao ponto: quando o heterogêneo submerge no homogêneo – está (uso verbo temporário, e não o definitivo “ser”; ainda há esperanças) sequestrado psiquicamente pelas deturpações do oficialismo do progresso, ir contra a corrente pode parecer temerário. E daí? Se o fenômeno Lula foi competente suficiente nas articulações dos embustes e logrou êxito ao construir seus discursos, a mim não convenceu. “Ah, mas de você não aprovar o governo dele a não gostar da pessoa de Lula há uma abissal diferença”, podem emendar alguns. Sim, há. Mas sobre esse abismo que separa a pessoa do político construí uma ponte, fazendo um liame umbilical entre ambas as personalidades.

Notem: não gostar de Lula – do político e da pessoa – é um direito que tenho. É-me garantida essa prerrogativa à semelhança que é garantida a qualquer um a de não gostar de chuchu. Eu, você, ele, nós, vós, eles, enfim, todos têm a regalia de não ir com a cara de alguém, o que não significa que, por conseguinte, é assegurado o direito de desrespeitar e incitar violência contra quem não nos agrada. Essa historinha bonitinha da obrigação de amar uns aos outros soa-nos humana, eu sei. Como sempre, nós, diz a metafísica influente, devemos primar pelas emanações do coração e relegar um pouco a racionalidade. Isso dá um bom debate. Sim, a pregação do amor e da caridade foi um pilar fundamental, concebido pelo cristianismo, na construção do homem moderno e das sociedades democráticas, não nego. Conquanto eu aceite isso, tenho seriíssimas divergências aos desencadeamentos dessa narrativa, que, hoje, pode ser resumida a conclusão de que temos de amar o próximo. Fazer caridade é obrigação. Preocupar-se com as criancinhas famintas na África virou imperativo. Urge a todos compadecer dos pobres e carentes. Particularmente, penso que amor é algo importante e caro demais para sair por aí o distribuindo inadvertidamente. O ser humano precisa merecer ser amado, pois quando se ama a todos sem critérios, não se ama ninguém. A obrigação que o ser humano deve ter para com o próximo é o respeito, a cordialidade; amor, não. De Ayn Rand e Aristóteles a Paulo, o apóstolo, e Jesus Cristo, poderíamos escrever páginas e mais páginas sobre o assunto. As divergências que surgiriam ao longo do caminho, sem dúvida, locupletariam nossos conhecimentos; mas não há tempo e nem espaço para tal. Em frente.

Acho que nunca fui tão claro neste espaço com relação ao que sinto por Lula quanto nas linhas que antecederam este parágrafo. A partir de agora, portanto, vocês já sabem quem opina e de que lado está quem vos escreve. Não, não podem me chamar de imparcial. Posto o que penso, coloco-me na situação de honestidade para com meus leitores. Quem entra aqui sabe que jamais encontrará conteúdo flertando com o totalitarismo, com embustes que usam a democracia em nome de causa cujo fim é justamente o solapamento da… democracia. Para mim, os fins não justificam os meios; os qualificam. Neste blog vocês não encontrarão mensagem de satanização do outro, visando aniquila-lo por causa de suas ideias. Posso combater as ideias, as filosofias, as correntes de pensamento; jamais o ser que as carrega.  Escolher qual bandeira levantar e em nome de quais causas lutar é uma livre faculdade de todos. Se Lula, sujeito livre que é, hasteia sem nenhum pudor o estandarte daquilo que entendo ser prejudicial à sociedade democrática e às instituições que a mantém, eu, livre também, rogo o meu direito de combater seu ideário. Ele que fale as besteiras que quiser, mas prepare-se para ser confrontado por quem não pratica genuflexão irrefletida.

Lula deve se retratar em público. Mentiu nas eleições de 2010 para todo o povo brasileiro, quando afirmou que ensinaria como deve se comportar um ex-presidente da República. Os mais cândidos puseram fé na promessa, chegando a ver um Lula mais sóbrio e comedido da vida pública. Pura marmota! Sua latente vocação para o mandonismo não permitiu que se ausentasse da política. Ficou meses sem circular nos bastidores do poder por força do câncer. Recuperado ainda que parcialmente, voltou à vida pública. Urdido para uma guerra, Lula foi a campo a fim de, como também prometera quando ainda presidente do país, provar que o mensalão é uma farsa, coisa da imprensa inimiga, vocês sabem, e da oposição raivosa. Conforme revelado há duas semanas, o ápice de seu devaneio se deu em Brasília, no dia 26 de abril, quando esteve com o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes em companhia do ex-ministro da Defesa e também do STF Nelson Jobim. Na ocasião, rompendo com todos os contratos do bom funcionamento das instituições, Lula comentou com Mendes, um dos juízes que atuará no caso do mensalão, que não seria muito bom o Supremo julgar o processo agora, em pleno curso das eleições municipais. Afinal de contas, imaginem se os integrantes petistas da quadrilha (segundo a Procuradoria-Geral da República) saem da sessão diretamente para a Papuda? Não pegaria bem para a imagem do PT.  Só por isso, o escárnio já é completo. Um ex-presidente da República intercedendo por réus com um de seus julgadores. Porém, com a negativa de Mendes em contribuir para a prorrogação do julgamento, alvorou-se aquele Lula sem caráter, que não suporta ser contrariado – e isso não é de hoje, hein; vem desde os tempos do sindicalismo do ABC. Em tom de intimidação, inquiriu Mendes sobre uma viagem que fez à Alemanha em companhia de Demóstenes Torres, o falso paladino da ética cuja relação com o trambiqueiro Carlinhos Cachoeira extrapolou o limite do aceitável. Eis a ilação: Gilmar Mendes teria viajado a expensas de Cachoeira.   Confrontado com a negativa de Mendes, Lula, então, teria dado a entender que o controle da CPI do Cachoeira é dele. Para um bom entendedor, meia lulada basta. A síntese: ou Gilmar dava aquela mãozinha a Lula na questão do julgamento do mensalão ou o ministro poderia ser arrolado na CPI.

Recentemente, nos Estados Unidos, Barack Obama fez um discurso no qual manifestou sua certeza de que a suprema corte daquele país, tal qual o congresso nacional, aprovaria a nova lei que regula os planos de saúde. A reação ao que disse foi imediata. Um ministro pediu que Obama se explicasse formalmente, pois sua fala teria aviltado a autonomia dos juízes. Está sendo um bafafá danado. Aqui no Brasil a coisa é diferente. Um ministro do Supremo é chantageado e, pasmem, há quem atire a pedra no chantageado.  Se um ministro do Supremo se vê diante de tal intimidação, imaginem o que não pode ocorrer nas instâncias menores. Adiante.

Esse Lula que tenta achacar um ministro do Supremo em prol de uma quadrilha (segundo a PGR) não condiz com o sagrado território da democracia: é profano a ele. Mas como Lula chegou a esse ponto? Simples: porque todas suas mesquinharias foram travestidas de força popular, porque encontrou respaldo em setores da sociedade para encarnar o Bem num país hipoteticamente maniqueísta, sendo um anátema quem se opusesse a quaisquer visões de mundo tecidas no mundo lulo-petista; porque sequestrou a máquina pública em detrimento das instituições e em favor do partido, porque socorreu-se – e ainda o faz – nas licenças que lhe foram concedidas pelo “povo”, essa multidão cegada pelo discurso populista da “nova era” brasileira, toda construída sobre a farsa do “nunca antes na história deste país”; porque roubou o Brasil dos brasileiros, porque falsificou o passado a fim de amealhar láureos no presente e garantir o futuro no qual os interesses mais escusos encontrarão abrigo sob as asas do oficialismo mais vagabundo. Um homem com esse currículo, vejam que coisa, é tido pela massa como o que mais fez pelo Brasil até hoje. Isso nada mais é que um desencadeamento de uma sociedade privatizada pelo partido que, hoje, tem o monopólio da praça, se é que me entendem.

Lula e o PT aparelharam movimentos sociais, o que lhes garantiu força e capitulação de hostes da sociedade. Alguns exemplos emblemáticos: o MST nunca foi tão privilegiado com dinheiro público como agora. Não, os recursos não são para fazer a reforma agrária, mas sim para irrigar o aparelho político. Fernando Haddad, candidato à Prefeitura de São Paulo, e Lula também estenderam os gracejos financeiros à UNE, que em seu 52º Congresso, em 13 de julho do ano passado, fez um protesto EM FAVOR do governo. Claro, com a generosa quantia de R$ 50 milhões transferidos do cofre da União à entidade, quem não se comove, não é mesmo? Deve ter sido por isso que esses patriotas da UNE, com o dedo em riste, acusaram a imprensa de ser golpista quando da denúncia do mensalão e vieram a público para defender José Dirceu, Delúbio Soares, Marcos Valério e outros. Com dinheiro do governo no bolso, pra que se indignar as mazelas do… governo? A CUT, que no governo FHC sempre foi tão diligente, no governo Lula, foi cooptada pelo poder. O imposto sindical, cobrado dos trabalhadores sem sua anuência ou livre vontade, gera milhões de reais a essas entidades, que são desobrigadas de prestar contas de como usam essa dinheirama toda. Lula teve a faca e o queijo na mão para determinar que as centrais sindicais passassem a submeter esses gastos ao Tribunal de Contas de União. Os trabalhadores agradeceriam transparência no uso do seu dinheiro. Mas o então presidente vetou o expediente legal que viabilizaria essa vigilância.

Assim, meus caros, Lula, o homem que ganha títulos de honoris causa às pencas, fragilizou o debate, tornou o modus operandi do governo mais ignominioso e, espantosamente, não encontrou resistências. Dada as cessões que lhe foram garantidas, passou a acreditar que o mundo de fantasias dos discursos trampolineiros é, de fato, real. Depois de ter caído nas graças da sociedade, sentiu-se amparado suficientemente para intimidar um ministro do Supremo Tribunal Federal. Também não viu nenhum constrangimento em mandar às favas a lei eleitoral e ir fazer propaganda eleitoral antecipada no Programa do Ratinho em prol de Fernando Haddad. Se em 2010 já o fazia enquanto presidente, ajambrado de toda responsabilidade e decoro que a instituição Presidência da República exige, imaginem agora, livre, leve e solto.

Não, não estou exagerando. Por sinal, as besteiras lulistas precisam ser evidenciadas principalmente porque, recentemente, a Prefeitura de São Paulo cedeu por 20 anos um espaço de 4 mil metros quadrados na região da Luz, centro da cidade, para que ali Lula construa seu Instituto da Democracia. Esse senhor, vênia máxima, não tem estatura moral para batizar com seu nome uma entidade que se venda como zeladora da trajetória democrática do Brasil. Capitaneado por Lula, o PT se recusou a participar da sessão que homologou a Constituição de 1988. Esse mesmo partido expulsou de seus quadros três deputados que compuseram o colégio eleitoral responsável pela eleição de Tancredo Neves. O Plano Real, grande balizador de nossa economia, não teve apoio do PT, assim como as privatizações também foram alvo de ataques contumazes de Lula e seus partidários. O Proer foi vendido por Lula como sendo uma grande maquinação para enriquecer banqueiros falidos. Na boca de seus asseclas, a Lei de Responsabilidade Fiscal era um mal ao País, motivo pelo qual petistas recorreram à Justiça contra ela. No auge do seu exercício democrático, o PT achou válido comprar votos no Congresso Nacional. Na esteira das eleições de 2006 e das patinadas nas pesquisas de intenção de voto, não faltaram dossiês – sim, o dos aloprados – fabricados nos porões do petismo para derrubar adversários políticos. Esse tal Instituto da Democracia quer refletir em Lula sua cartilha? Mesmo? Justo nele, que alçou Franklin Martins à condição de Ministro da Comunicação Social com a missão de costurar o Conselho Federal de Jornalismo, cuja missão nada mais seria a de amordaçar a imprensa? E o que dizer, então, do apoio dado a ditaduras como a da Venezuela, Cuba e Irã? Lula, no dedaço e indo de encontro a tudo o que os primórdios do PT pregavam como sendo a democracia interna do partido, deu o ducado da candidatura à Prefeitura de São Paulo a Haddad, passando o rolo compressor sobre Marta Suplicy, que viu seu direito de disputar as prévias ser minado. Ainda exercendo sua onipotência inconteste, criou a CPI do Cachoeira, com a finalidade clara de constranger a oposição em ano eleitoral. Esses fatos chegam às nossas narinas com o aroma democrático?

Na mesma entrevista concedida a Carlos Massa, Lula deixou estampada sua verdadeira visão de democracia ao ser perguntado se voltaria a disputar eleição para presidente da República em 2014. Disse o portento, ao admitir que voltaria à corrida eleitoral só em caso de desistência de Dilma Rousseff:  “Se ela não quiser ser candidata, vou ser. Não vou permitir que um tucano volte a ser presidente do Brasil”. Trata-se de uma resposta criminosa, cuja essência, se resumida por Auden, não poderia outra, senão And the crack in the tea-cup opens/ A lane to the land of the dead. Numa metáfora proferida na década de 70, Paulo Francis afirmou que a xícara de chá era representada pela velha ordem britânica e suas elites. A fenda na xícara, ou seja, a ruptura dessa sociedade, abriu caminho para duas guerras. A xícara de chá brasileira é outra: o Estado Democrático de Direito. A terra dos mortos, sua nulidade. Isso tudo tem nome: Lula!

O IDEÁRIO DE LULA, UM MAL A SER COMBATIDO