Um escárnio

Vejam que coisa curiosa.

Lula, Dilma, José Eduardo Cardozo, Jaques Wagner, Rui Falcão (presidente do PT, que, em seu Twitter, chamou os manifestantes da Paulista de cochinhas — isso mesmo, com “ch”) e outros da camarilha sempre se ensoberbeceram com o fato de que o partido, desde que assumiu o comando do País, conferiu à Polícia Federal e ao Judiciário ampla liberdade para apurar os malfeitos do Brasil.

Seria, inclusive, em razão desse fenômeno que nunca antes na história deste País fez-se tanto em termos de Justiça e blá blá blá.

Não vou entrar nesse mérito. Até porque liberdade de investigação e de inquérito não são garantidas por governos, mas sim pela Constituição. “Mas antes havia Engavetador-Geral da República”, dizem, em alusão a todos os processos de privatização e escândalos dos anos FHC. O curioso é que, mesmo empunhando o estandarte da liberdade de investigação das instituições, nem Lula nem Dilma foram fuçar na caixa preta das privatizações. Poderiam? Sim, poderiam!

Certa vez, compelida a responder sobre isso, Dilma saiu-se com a desculpa de que seu “governo respeita os contratos”. Engraçado que esse mesmo respeito foi mandado às calendas no episódio da renovação das concessionárias de energia, por exemplo. E o preço — altíssimo, por sinal — vem sendo pago pela população desde o fim do ano passado, com um aumento escorchante nas contas de luz.

Ou, sim: Lula e Dilma foram lá perscrutar algo de tenebroso das privatizações de FHC, mas nada encontraram de desabonador.

Ou é uma coisa (omitiram-se) ou é outra (não acharam pelo em ovo). Não há terceira via.

Desviei do foco.

Adiante…

Pois bem, o PT, que, como disse, sempre ostentou orgulho por conferir ampla liberdade de investigação às instituições, agora quer colocar Lula em um ministério. O objetivo: minar o poder de investigação dessas mesmas instituições que, na palra petista, foram beneficiadas nos anos Lula-Dilma. Com o molusco virando ministro, em tese, Sérgio Moro teria de remeter o processo de enriquecimento ilícito do ex-presidente ao STF, em razão do ganho de foro privilegiado. Tudo ficaria mais lento.

Lula poderia safar-se.

Lula poderia acabar bem.

Em vez de ir para o xilindró, que é o seu lugar, enraizar-se-ia no Planalto, embolsando cerca de R$ 35 mil ao mês.

É o PT usando o governo para livrar um criminoso da cadeia.

Quem são mesmo os paladinos da liberdade de investigação?

Um escárnio!

Um escárnio

UM COQUETEL DE ASNEIRAS. É UM FILME DO TERRENCE MALICK? NÃO; É UMA COMPOSIÇÃO ERUDITA CONTEMPORÂNEA BRASILEIRA? NÃO; É UMA NOVA RECEITA GOURMETIZADA À PAULISTANA? NÃO! É UMA RESOLUÇÃO DO PT!

O PT divulgou nesta terça-feira (10) resolução política oriunda da comemoração dos 35 anos do partido. Pois é, meu caro leitor, mesmo com o petrolão, mesmo com a insatisfação popular atingindo o apogeu (e a pesquisa Datafolha veio apenas confirmar essa sensação de mal-estar, não revelando nada novo, a não ser o fato de o abismo de Dilma ser mais fundo do que o que se esperava) e mesmo com o clima bélico entre o governo e sua base, o partido achou conveniente celebrar mais um aniversário, como se o País estive todo pintado de tons róseos. “Ah, então não podiam?” Poder, podiam; mas, né…

A turba petista sempre se demonstrou descolada da realidade. Quando eram oposição, não ajustaram a sintonia para convergir para o bem do Brasil. Não homologaram a Constituição de 88, vociferaram contra as privatizações de Fernando Henrique Cardoso, não endossaram o Plano Real (o atual ministro-chefe da Casa Civil, Aloízio Mercadante, foi um dos expoentes do movimento do contra), não apoiaram o programa que deu fôlego às instituições financeiras continuarem operando em um cenário nada alvissareiro…

Mas divago.

Vergonha alheia. Este é o sentimento que me assalta a cada parágrafo que leio da tal resolução. Pelo documento, há, no Brasil, um grupo de pessoas que querem destruir o País, flertam com o golpe e visam à ruína da Petrobras. Diz a estrovenga: “[Temos de] condenar a ofensiva e denunciar as tentativas daqueles que investem contra a Petrobrás, pois, a pretexto de denunciar a corrupção que sempre combatemos, pretendem, na verdade, revogar o regime de partilha no pré-sal, destruir a política de conteúdo nacional e, inclusive, privatizar a empresa. É nosso dever fortalecer a Petrobrás e valorizar seus trabalhadores. É nossa tarefa também defender a democracia e as conquistas do povo, denunciar as tentativas de desqualificar a atividade política e de criminalizar o PT.”

Entenderam? Quem quer destruir a Petrobras, sob essa ótica, é o juiz Sérgio Moro, é o procurador geral da República, é a Polícia Federal, somos nós, que vibramos de alegria e alívio quando um vagabundo assaltante da coisa pública vai em cana. Já os petistas apaniguados na estatal, os indicados do partido para as diretorias envolvidas no escarcéu e os empresários amicíssimos de Lula arrolados na investigação são verdadeiro altruístas, que batalham pelo bem da empresa e por seu fortalecimento. Faça-me um favor! A resolução chega ao cúmulo de dizer que o anseio por privatizar a Petrobras é alinhado à vontade de aniquila-la. Estão enganados! Privatizar a joça petrolífera é o desejo de quem almeja salvá-la do desastre.

A vontade de rir vem quando chegamos ao parágrafo seguinte. “[Temos de] reafirmar o posicionamento adotado em Fortaleza em dezembro último, de apoiar as investigações em curso sobre a corrupção na Petrobrás e exigir que elas sejam conduzidas rigorosamente dentro dos marcos legais e não se prestem a ser instrumentalizadas, de forma fraudulenta, por objetivos partidários. O PT reafirma a disposição firme e inabalável de apoiar o combate à corrupção. Qualquer filiado que tiver, de forma comprovada, participado de corrupção, deve ser expulso.” Só faltou uma assinatura de José Genoíno e outra de José Dirceu logo na sequência, não é mesmo? Ah, sim: ambos os Josés não foram expulsos do PT, ainda que tenham sido condenados à prisão pela mais alta corte judiciária do País.

Um dos parágrafos mais espantosos afirma: “[É preciso] conclamar a militância a contribuir para a criação de uma articulação permanente de partidos, organizações, entidades – uma força política capaz de ampliar nossa governabilidade para além do Parlamento e de criar condições para realizar reformas estruturais no País. Reforçar as campanhas pela reforma política e pela democratização da mídia.”

Qualquer pessoa que leu Antonio Gramsci é capaz de identificar a sombra de um ente de razão pairando sobre os devaneios petistas. Ora, governabilidade se tem no âmbito de… governo! Quaisquer fenômenos paralelos a isso levados à sociedade não tem outro objetivo senão, como diria o próprio Gramsci, subverter todo o sistema de relações intelectuais e morais. E qual a referência para essa subversão? Bem, se o que os valentes querem é a “governabilidade”, nada mais razoável que a referência seja o… governo! E como este está tomado de assalto por um partido com um projeto de poder, logo se conclui que a força motriz do intento são os desígnio do…PT! E eles querem essa governabilidade extra governo para quê? Eis o pulo do gato: para a reforma política e o controle da imprensa. Para a primeira diretriz, o partido quer o voto em lista fechada e acabar com o financiamento empresarial de campanhas, deixando apenas o público. Ou seja, uma bela de uma tungada no bolso do contribuinte. Na segunda, querem acabar com imaginários oligopólios de mídia e propriedade cruzadas de veículos de imprensa. Puro besteirol. Mas sobre isso falo em um futuro post.

E a resolução se encerra festejando a vitória de Evo Morales nas eleições bolivianas, saudando o governo de esquerda recém-eleito na Grécia — que tem tudo para afundar o país — e o povo cubano, que, “por sua resistência, começa a quebrar o bloqueio imposto durante décadas pelo imperialismo”.

É tanta asneira junta que dá preguiça.

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O MEDO VENCEU A ESPERANÇA

O terrorismo eleitoral, a campanha do medo e o sem-número de mentiras promovidas pelo PT, o que acabou por caracterizar as eleições de 2014 como a mais suja desde a redemocratização, levaram Dilma Rousseff a sair das urnas com 51,63% dos votos válidos (54,5 milhões de eleitores). Aécio Neves, do PSDB, conquistou para seu partido a maior votação de sua história: 48,37% dos votos (mais de 51 milhões de eleitores). Desde 2002, quando Lula derrotou Serra (61,3% a 38,7%), a diferença de votos recebidos pela oposição em relação ao PT vem diminuindo. Em 2006, Lula ficou com 60,8% dos votos; Alckmin, com 39,2%. Em 2010, Dilma levou 56,1%; Serra, 43,9%. Há aí uma tendência, sim, por mais que especialistas lutem em negar: o modelo petista de governar está levando o eleitorado ao enfado.

Fosse a campanha eleitoral pautada pelos bons princípios e pela higidez, talvez nestas eleições a ânsia por algo novo ficaria ainda mais escancarado. Ocorre que, em um ambiente em que o adversário é pautado pelo ódio e pela sina de anatemizar o oponente até as últimas consequências, o território para a propagação de ideias férteis ao debate democrático e ao futuro do País se torna menos propenso. Se Dilma ataca, Aécio tem de se defender. Como ficar calado frente às mentiras de que o PSDB acabaria com os programas sociais? Como deixar de refutar suposições de que o tucano agredia mulheres? Como aquiescer frente à boataria de que Armínio Fraga, trazendo a inflação para 3%, inevitavelmente elevaria o desemprego para 15%? Como deixar passar incólume constatações estarrecedoras, como a de que Fernando Henrique Cardoso entregou o Brasil a Lula com uma inflação maior do que quando recebeu?

Marina Silva, espancada sem dó pelo petismo, preferiu “dar a outra face”. Se ferrou. Viu suas intenções de voto minarem paulatinamente. Da dianteira nas pesquisas, foi para a terceira colocação. Sob a pecha de homofóbica (santo Deus!) e de mentirosa, deixou-se abater pela máquina de sujar reputações. Antes dela, Eduardo Campos já estava na mira. Com sua trágica morte, os holofotes encarregaram-se de focalizar a nova presa.

Dossiês contra adversários políticos, uso de estatais e da máquina pública para fustigar campanha da oposição, disseminação de boataria, a transformação do oponente em alvo a ser destruído, a certeza de ser dotado de um exclusivismo moral que lhe assegura um hipotético direito de guerrear a conduta das pessoas, e, o pulo do gato: acusar os outros de fazer exatamente tudo aquilo que você faz. Eis o PT. Dilma e Lula, em comícios Brasil afora,  disseram que os tucanos proferiam discursos de ódio. Era, evidentemente, mentira. É fácil constatar quem levou ao picadeiro a palra do nós contra eles. O marketing do PT sempre foi eficiente em estimular um arranca-rabo de classes. Pespegam nos adversários o epônimo das elites que não gostam nadinha da ascensão dos mais desfavorecidos. Como a causa destes (pobres) é a virtude deles (PT), aqueles (PSDB) representariam o retrocesso. Para evitar isso, só mantendo Dilma no poder, e fazendo povo acreditar que o Brasil da propagando de fato existe e não é um conto de fadas.

Não é fácil sustentar esse sistema. Mantê-lo irrigado com falácias requer infraestrutura e braços. É por isso que vimos os Correios atuando como comitê eleitoral do PT. É por isso que beneficiários do Bolsa Família receberam SMS afirmando que, em eventual vitória de Aécio, os recursos para o programa cessariam. É por isso que gente cadastrada no Minha Casa, Minha Vida foi alertada sobre o risco de sua moradia não ser mais entregue.

E sabem o que é mais nojento? É o PT, que sempre se orgulhou de hastear a bandeira dos mais desvalidos, usá-los como massa de manobra para se locupletar em seu projeto de poder. Pobres, meus caros, são conservadores. Procuram preservar qualquer conquista que tenham na vida, o que os conduz ao anseio por estabilidade e certa resistência a mudanças. Não têm esse comportamento, em tese, por má-fé, mas sim por um, digamos, instinto de sobrevivência. Dá-me asco saber que o PT se aproveita desse sentimento para levar pânico a essas pessoas. Foram SMSs, torpedos, mensagens de WhatsApp com mensagens caluniosas e ameaçadoras enviados diretamente a milhares de pessoas. A própria Dilma vocalizou que Aécio era contra o salário mínimo, e sua vitória era o prefácio de uma era de desempregados.

Não há debate razoável a ser feito em um ambiente contaminado pelo ódio. O eleitorado, ávido por propostas e uma discussão pertinente sobre o futuro, vê-se diante de baixarias mil de um lado. Se o outro lado não responde, corre-se o risco de ver dedos em riste apontados para sua cara, em tom de “quem cala, consente” (sim, pode-se usar vírgula em sujeito oracional). E os interesses do País vão para o ralo. Diante disso, o dia a dia do brasileiro comum, a economia estagnada, a indústria desempregando, a dívida interna explodindo, a inflação nos estertores da meta… como diria Rita Lee: tudo vira bosta. Em um debate menos contagiado pelo ódio petista e mais aberto à lisura de propostas, o PT perderia. E feio.

O medo venceu a esperança. A mentira prevaleceu sobre a verdade. A desonestidade intelectual suplantou a decência.

É claro que ainda escreverei mais sobre essas eleições. Um post é muito pouco para os quilos de coisas que ainda precisam ser ditas.

O MEDO VENCEU A ESPERANÇA

PT ENGROSSA MANIFESTAÇÃO. COMO É CONTRA A OPOSIÇÃO, AGORA PODE

Nesta quarta-feira a rotina dos paulistanos pode novamente ser afetada pelos buliçosos do Movimento Passe Livre. Prometem fazer uma barulheira tremenda contra as recentes denúncias de cartel em licitação do metrô e da CPTM. Avolumam os quadros dos manifestantes gente do Sindicato dos Metroviários, do PSOL e PSTU. Até mesmo o PT, vítima das escaramuças do MPL, dá apoio ao ato.

O PT é mesmo uma coisa estupefaciente: quando as ruas tinham uma pauta de reivindicação difusa, tentaram se apropriar do alarido. Tomaram na cabeça! Depois que Dilma fez aquele pronunciamento desastroso em rede nacional – chamando, sim, para si, boa parte da responsabilidade de arrefecer os ânimos da turba – e a população pareceu não ter digerido muito bem a mensagem da presidente, caíram fora. Recorreram, inclusive, àquele expediente velho de guerra: jogar nas costas da “elite” e dos “reacionários” a força propulsora das ruas, cujo propósito, claro, seria destituir o único governo verdadeiramente pró-trabalhadores de nossa história recente. É de revirar o estômago, eu sei

Agora que o vozerio tem um foco, e este é contra o PSDB de São Paulo, os petistas, tão oportunos como sempre, servem-se da ocasião e apoiam a manifestação. Manifestação contra oposição não é coisa de “reacionários” nem da “elite”; é virtude pura.

Antes de prosseguir, é necessário visitarmos a gênese das denúncias de cartel. Trata-se de um caso emblemático de irresponsabilidade e politização de um órgão de governo. O Cade, fonte de todas as informações sobre o cartel, é presidido por Vinícius Marques de Carvalho, sobrinho de Gilberto Carvalho, ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República e os olhos e ouvidos do Lula dentro do Planalto. A devoção com que Carvalho venera o ex-presidente não é segredo para os mais atentos. E por que cito isso? Simples: nunca antes na história deste país o Cade foi tão seletivo no vazamento de informações à imprensa. Os jornalistas, por sua vez, empolgados com o calhamaço de denúncias que lhes chegam às mãos, parecem ter jogado no lixo o bom e velho hábito de apurar.

“Ah, diz isso só porque o escândalo é contra tucanos”, podem dizer alguns. Uma ova! Não tenho coloração partidária quando o assunto é decência na gestão pública. Por sinal, quem me acha tucano não me conhece mesmo. Esse papinho de socialdemocracia não me convence. Muito centro-esquerda pro meu gosto. Sou de direita, oras!

Adiante.

As investigações conduzidas pelo órgão são sigilosas. Todas informações dadas pela Siemens, nessa espécie de delação premiada, não podem ser acessadas pelo governo de São Paulo. O que justifica o sigilo? Não sei! A situação é de tal sorte absurda que quem é acusado não tem como se defender, pois, atenção, NÃO SABE OFICIALMENTE DO QUE ESTÁ SENDO ACUSADO. E aqui abro um parêntese: a Siemens tem contratos bilionários firmados com o governo federal. Mais: o Cade informa que a investigação de formação de cartéis não se restringe apenas a São Paulo. Daí torna-se inevitável fazer algumas rasas lucubrações: se a multinacional alemã também presta serviços ao governo federal, teria a empresa aderido a cartéis apenas no estado de São Paulo?; então no âmbito federal todos os contratos são pura lisura?; se o Cade investiga cartel em outros lugares do país, porque só vazam informações contra o governo de São Paulo? Fecho o parêntese.

Quero fazer algumas provocações, na contramão do consenso. Folha, Estadão e TV Globo parecem ter caído num embuste: o de que a imprensa, depois de ter coberto à exaustão os inúmeros escarcéus do PT, tem agora a obrigação de estampar em suas primeiras páginas ou anunciar na escalada em letras garrafais e tom professoral o escândalo em gestões tucanas também, ainda que as denúncias sejam genéricas e tão profundas quanto um pires; do contrário, não seria uma imprensa verdadeiramente independente. Há vileza no caso Siemens? Que os envolvidos sejam julgados e enviados à cadeia. Mas vamos a uma reflexão sobre fatos:

1-    Um ex-diretor da Siemens, em e-mail, não deixou dúvidas de que a empresa perdeu a concorrência para a CAF e, por causa disso, entraria na Justiça. Assim o fez;
2-    no mesmo e-mail, esse diretor afirma que o então governador José Serra cancelaria a licitação caso a Siemens vencesse – o que seria louvável, pois os valores cobrados pela multinacional alemã eram R$ 200 milhões mais caro;
3-    o diretor também sustenta que o tucano teria sugerido às empresas que entrassem em um acordo, e que 30% do contrato vencido pela CAF fossem repassados à Siemens;
4-    o ex-governador nega que tenha sugerido o acordo. Em seu favor, o que há?

A vencedora da licitação foi a CAF. Bom para os cofres públicos, que economizaram R$ 200 milhões. Não houve divisão dos 30% do contrato. A Siemens foi à Justiça contra o governo do estado. Perdeu no STJ. Inconformada, a empresa entrou com recursos administrativos, que foram negados.

O que se conclui disso? Simples: a investigação do Cade é CONTRA formação de cartel. No caso acima, houve um ANTICARTEL. Perceberam? Mais: todas as afirmações usadas para embasar a denúncia foram extraídas de um e-mail – como sabemos, num e-mail qualquer pessoa escreve o que bem lhe der na telha –; e, na realidade, à luz das evidência e dos fatos, essas mesmas afirmações demonstram-se improcedentes. Mas o que fez a Folha de São Paulo? Estampou em sua capa: “Serra sugeriu que Siemens fizesse acordo”, diz e-mail. E o que o jornal escreveu no 10º parágrafo da reportagem? “Os documentos examinados pela Folha não contêm indícios de que Serra tenha cometido irregularidades, mas sugerem que o governo estadual acompanhou de perto as negociações entre a Siemens e suas concorrentes”. É ou não é um escárnio? O jornal deu a reportagem principal do dia a algo que a própria Folha admite não ter ocorrido.

Esse mesmo jornalismo às avessas tem sido praticado em todos os demais episódios desse imbróglio. Contra os fatos e mandando às favas evidências cristalinas, repórteres escrevem as maiores enormidades. Documentos que chegam às mãos de jornalistas devem servir de PONTO DE PARTIDA para a feitura de uma reportagem investigativa. Infelizmente, o que temos visto é que tais vazamentos têm sido um fim em si mesmo, por mais absurdos que possam ser os episódios que levantam.

Este é apenas um caso entre tantos outros neste episódio do suposto cartel. Pincei um, mas trarei outros à baila. É inadmissível, por exemplo, o que estão fazendo com o vereador Andrea Matarazzo, também do PSDB. Ainda voltarei a esse assunto.

É contra isso que o MPL irá berrar amanhã: contra não-fatos, contra anticartel, contra uma economia de R$ 200 milhões aos cofres públicos…

Claro, haverá gente achando tudo muito lindo.

PS – Nas primeiras manifestações, o MPL disse que só pararia de ir às ruas se a tarifa baixasse. E agora, vão parar quando, se a premissa pela qual vão à praça não sobrevive a uma análise?

PT ENGROSSA MANIFESTAÇÃO. COMO É CONTRA A OPOSIÇÃO, AGORA PODE

PORQUE GOSTO DA DEMOCRACIA, DIGO NÃO ÀS MANIFESTAÇÕES

Um grupo de vândalos tentou invadir a Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) na última sexta-feira. Desde ontem, acampam em frente ao Palácio dos Bandeirantes. Vocês sabem como andam nossos dias: basta que meia dúzia se reúna para reivindicar qualquer coisa e resolva travar a cidade, mandando às favas o direito constitucional de ir e vir de quem optou por não se manifestar por nada, que já ganham aplausos aquiescentes. Velhos babões, aos montes, esbanjam ânimo: “Jamais pensei que esses jovens iriam às ruas como vão hoje”, disse dias desses um graúdo empresário a mim. Voz das ruas, recado dos jovens, primavera brasileira, gigante acordou, enfim, essa coleção de clichês aboletada numa espécie de mal estar da nossa democracia impulsiona esses movimentos, conferindo-lhes especiais estima e legitimidade.

Não, meus caros. Não estou com essa gente. Sou desses que sempre desconfia de multidões. Qualquer pessoa que já mergulhou no livro Psicologia das Massas e Análise do Eu¸ do Freud, há de concordar comigo que coletividades são ameaçadoras, capazes de tudo. Tudo mesmo! O limite para seus intentos é o céu. Como vivemos numa democracia, a lei e a ordem definem até onde o povo é soberano. É simples de entender.

Logo no início dos protestos, um monte de amigos, alguns bem intencionados até, me indagaram o porquê de eu não aderir ao clamor das ruas. Como o PT está na mira das manifestações, uma porção de gente pensou que me deixaria embalar pelo coro dos descontentes. Não, não me deixei. Nem tudo que está contra o PT necessariamente me agrada. Não gosto do PT por seu autoritarismo, por seus métodos escusos de solapar a democracia e subjugar as instituições. Se, no entanto, as forças que emergirem se propõem a combater o PT por métodos que, no final, acabarão resultando em menos democracia e minando as instituições de sua legitimidade, coloco-as logo lado a lado de quem pretendem guerrear. Sim, queridos: se o que quer essa multidão (esses “jovens”, como uns babões estão adorando dizer) vier a ser implementado, assistiremos à democracia indo pra lama.

Eu não sou sociólogo nem cientista político. Sou um implacável seguidor da lógica. Só ela me orienta e ilumina minhas convicções. Eu sou eu e minhas ideias. Meu farol de Alexandria é minha consciência. E é com base nesses pressupostos que arrisco dar contornos aos fatos que estão ocorrendo no País. Preparem-se, este texto será longo.

É óbvio que entre as reivindicações das ruas muitas são honestas e procedentes. As expressões de descontentamento “contra tudo o que está aí” (toda vez que algum pseudoengajadinho me diz esse mantra, sinto uma preguiça aguda) podem ser levadas a quem de direito. A forma como o fazem, no entanto, pode contribuir para que o verniz supostamente democrático dessas vindicações se desfaça. O PT se tornou um dos principais alvos dos protestos. Dilma Rousseff, dos píncaros de seus 63% de aprovação do governo em março, despencou para 31%. Entretanto, não admito que manifestantes recorram a práticas que, se transformadas em norte político e moral, levariam o País ao brejo institucional e ao vácuo democrático – males maiores dos que se propuseram a combater.

Assistimos nas ruas, durante o mês de junho barulhento, a cartazes pedindo o fim dos partidos políticos. Esse anseio encontrou eco em muitas cabeças-de-vento. Não há como fazer política sem…política, da mesma forma que não há democracia sem representatividade – e esse papel cabe aos…partidos políticos. Isso justifica a razão de Marina Silva ter sido a grande beneficiada de toda essa barafunda. A sonhática (que coisa mais ridícula!) se diz, com a pompa da realeza, não pertencente a nenhum partido. Sua Rede estaria fora do campo gravitacional em torno do qual giram todas as demais agremiações políticas. E há quem caia de amores por esse discurso.

Sim, eu quero o PT fora do poder. Se vocês recorrerem aos arquivos deste blog, encontrarão uma fartura de posts que justificam essa minha posição. Só que, vejam como sou exótico, quero apear o PT do governo via urnas, via voto. Não quero – nem admito – quaisquer tentativas de golpes. Goste-se ou não, Dilma governa porque foi eleita, obedecendo todos os ritos democráticos previstos em lei. Se Dilma – ou Sérgio Cabral, ou Geraldo Alckmin, ou o prefeito de Arceburgo… – tiverem de cair fora, que sejam por esses valores.

O problema é que os manifestantes ignoram solenemente esses princípios. Eu tenho horror a minorias que querem impor sua vontade à maioria. Sempre vi com muita desconfiança ondas de coletivismos. Rogam para si uma legitimidade que ninguém lhes conferiu e, com isso, acham-se acima da ordem. Por que digo isso? Simples: desde junho, a Avenida Paulista foi travada por manifestantes inúmeras vezes. Dizem-se pacíficos. Mas não são. O que há de pacífico interromper abruptamente o direito de ir e vir da maioria? Como se julgam os portadores do bem, acham razoável que suas vontades sejam impostas aos demais. Eles acreditam Alckmin tem de ser deposto. Logo, tomam as ruas,  impedem motoristas de trafegar e, por que não?, pensam ser justo tomar a Assembleia Legislativa à base da força. Houve gente que só faltou ter orgasmos quando um bando de delinqüentes subiu ao teto do Congresso Nacional, como se aquilo fosse a coisa mais normal do mundo. Não, meus caros, não é. “Mas são pacíficos”, dizem uns. O escambau! “Invasão” e “pacificidade” são termos que não se conjuminam.  

Pacíficos uma ova – O Datafolha realizou uma pesquisa para apurar o grau de aprovação às manifestações. 66% dos paulistanos são favoráveis; 34%, contra. Ora, isso também aprovo, até porque não tenho vocação pra ditador. Quando os protestos passam a atrapalhar a vida de quem optou por não se manifestar por nada, aí sou contra. 78% acham justa a ocupação da Paulista. Eu não acho. Dou, nesse caso, de ombros à maioria. Não é porque a maioria gosta e aprova que signifique que obnubilar o direito de ir e vir das pessoas é legítimo. Pensem no pandemônio que viraria a cidade se todo mundo com uma reivindicação embaixo do braço resolvesse tomar a Paulista. A praça é do povo como o céu é do condor, bem sei. Então que se faça esses protestos no Vale do Anhangabaú, por exemplo. Por que não marcam manifestações na Jacu Pêssego? Simples: porque esses valentes querem, sim, impor sua vontade a todo mundo.

“Ah, mas a maioria é de bem e não quer confusão”, dizem uns cândidos. Pode até ser verdade. Só que temos de levar em consideração os sentimentos que se arregimentam quando fazemos determinadas vindicações. Mais: nunca vi tantas manifestações infiltradas por vândalos. Tanto que vandalismo, em certa altura do campeonato, virou novilíngua: passou a ser manifestações pacíficas infiltradas por vândalos. “Os quebra-quebras são exceções”, dizem muitos. Nunca vi tanta exceção se repetir como se regra fosse. Mais: pesquisa encomendada pela TV Globo feita com participantes de manifestação e exibida no Fantástico recentemente traz um dado alarmante: 5% dos que engrossam o caldo desses protestos acham que depredações são válidas; 28% as interpretam como justificadas em alguns casos. Vamos à frieza cáustica dos números: 33% dos “pacíficos”, portanto, têm pré-disposição para sair por aí arrebentando lojas bancárias, depredando patrimônio público, promovendo cenas de violência pelas cidades. É pouca gente? Não, não é. Significa que se uma passeata reunir 100 mil pessoas na Paulista, 33 mil delas acham justo recorrer a métodos pouco republicanos para expressar seu descontentamento.

A Globo mostrou esse dado com a mesma naturalidade que se descortina a preferência do povo por chuchu ou abobrinha. Como o jornalismo anda em crise, não ocorreu ao repórter e ao editor fazer uma regra de três simples. Houve manifestações no Rio de Janeiro cujo público fora, segundo a Polícia Militar, de meio milhão de pessoas. Por que a Globo não disse que, perante os resultados de sua própria pesquisa, 165 mil pessoas, no mínimo, eram vândalos em potencial? Nadica!

A satanização das polícias – Para complicar, teve início o processo de demonização das Polícias Militares País afora. Ações legítimas de policiais passaram a ser encaradas como repressão, barbárie. Jovenzinhos idiotas e descolados quiseram logo brincar de um passado que desconhecem – ah, os livros, que falta fazem a muitos! – e nunca viveram a fim de evocar a sombra da ditadura. Disseram-se reprimidos. Tadinhos! Não se pode nem mais sair por aí travando uma cidade e quebrando tudo que se vê pela frente que a PM vem coibir, não é mesmo?

A fenda dessa retórica teve início em 13 de junho, em São Paulo. Os protestantes haviam firmado um acordo com a PM de não tomar a Paulista. Mas quê… Desobedeceram flagrantemente o compromisso assumido. Às 19h08, policiais pediram aos manifestantes que não subissem a Consolação rumo à Paulista. Os valentes deram de ombros e enfrentaram o cordão de isolamento da polícia. Ora, se é CORDÃO DE ISOLAMENTO, é pra não ser passado, certo? Teve aí o início da confusão, que foi maior desde o início dos protestos. Nota à margem: em nenhuma democracia do mundo a polícia fica quieta quando apanha. Por aqui, o povo acha lindo ver um agente da ordem levando paulada sem reagir. Adiante. Pipocaram cenas de policiais militares agredindo pessoas. Jornalistas feridos passaram a ser exibidos aos montes em milhares de sites.

Se houve abusos por parte da polícia, que sejam investigados e os culpados punidos. Ponto. Isso não significa que a PM, a partir de então, tivesse de ficar acossada pela patrulhae, consequentemente, constrangida de cumprir o papel que a lei lhe faculta. Os baderneiros passaram a contar com salvo-conduto da opinião pública e da imprensa para fazer o que bem lhes derem no juízo. As ruas foram seqüestradas. O direito de ir e vir foi cassado. Aos policiais restaram apenas acompanhar os manifestantes. Qualquer bomba de gás lacrimogêneo para reprimir ações de vandalismo passou a ser arrostada como abuso policial. A gritaria superabundou o imperativo da democracia. Pior: sob os aplausos de muitos.

Semanas depois, no Rio de Janeiro, assistiu-se a verdadeiras ações de terrorismo contra o patrimônio histórico, quando a sede da Alerj foi depredada. Um policial foi violentamente espancado. Seu sangue banhou as calçadas do centro. Seu drama não foi destaque, no dia seguinte, em nenhum telejornal. Não vi nas redes sociais indignação contra tamanha truculência. Já em favor dos baderneiros, bem, creio ser desnecessário mencionar os gracejos havidos.

“É por direitos” – O discurso catalisador que sequestrou psiquicamente as massas veio do Movimento Passe Livre. Mobilizaram-se contra os R$ 0,20 de aumento nas tarifas de ônibus e metrô e foram às ruas. Reuniram, no início, alguns gatos pingados. É possível que a iniciativa tenha sido o agente hegeliano do processo, pra remeter um tiquinho ao livro A filosofia da história, de Hegel. Nesta obra, o filósofo diz-se estar consciente de que as forças da sociedade se inserem nas ações de líderes, a fim de realizar seus propósitos inconscientes. Hegel afirma que Júlio César derrotou seus inimigos e destruiu a Constituição de Roma visando uma posição de supremacia, é verdade; no entanto, o que o torna uma figura importante para história é que ele fez o necessário para unificar o Império Romano, e o autoritarismo era o único caminho para isso. “Assim, não foi apenas seu interesse pessoal, e sim um impulso inconsciente, que ocasionou a realização daquilo cujo momento havia chegado”, escreveu o filósofo.

Colocar Hegel e MPL num mesmo parágrafo soa mal, eu sei. Mas recorrer à teoria é um caminho para explicar momentos e momentos. Em nenhum momento, até o arborescer dos grandes protestos, os líderes do movimento expuseram descontentamento contra as condições adversas do País em questões como educação, saúde e segurança. Sua pauta era, sim, única: contra os R$ 0,20. Se não baixassem as tarifas, São Paulo iria parar, de acordo com eles. “Os 20 centavos eram a gota d’água que faltavam para a explosão da indignação geral”, muitos constaram. Estava, então dada a senha para a materialização de uma máxima do interior: cada enxadada, uma minhoca. “Não é por R$ 0,20; é por direitos”, muitos emplacaram.

É claro o Brasil é violento. Os 50 mil homicídios ocorridos anualmente são a prova disso. Os hospitais públicos padecem de médicos e equipamentos. Nossas escolas, adeptas de Paulo Freire — cujos métodos de ensino abomino – e do besteirol do Construtivismo, não conseguem ensinar os alunos a destrincharem os objetos diretos do Hino Nacional. A claque política continua vivendo num paraíso paralelo, desconectada da realidade dos brasileiros e ensimesmada com seus próprios interesses. São, sim, reais e legítimos o combustível das reivindicações.  Há razões às dezenas para protestar, mas o clima criado para a realização das manifestações advém de tensões artificiais. Querem a prova? Comparem a quantidade de presentes aos protestos antes do dia 13 de junho e depois. A ação mais firme da PM de São Paulo somada à capacidade que as mentiras têm de ganhar corpo nas redes sociais confluiu para a criação uma espécie de mal estar geral. A partir daí, corolários equivocados foram alçados à condição de verdades imperativas.

Os manifestantes são pacíficos. Os casos de vandalismo são exceções.
Depredar é feio, mas fazer da cidade um território livre à ocupação é bonito.
Aqueles que impedem o acesso aos 16 hospitais da região da Paulista são democratas.
Os jovens estão mudando o Brasil. Eventuais vandalismos são efeitos colaterais. Só.
O importante é ir pra rua gritar. Contra o que? Qualquer coisa! O importante é berrar.
Não importa se os métodos são errados. Pelo menos alguém está fazendo algo.
Qualquer ação da polícia é repressão.

Dilma ouviu a voz das ruas. E no que deu? – A presidente Dilma resolveu dar aquela afagada na cabeça das ruas. Quebrou a cara, e várias vezes. A primeira proposta do Planalto foi uma constituinte exclusiva para a reforma política, algo escandalosamente autoritário e inconstitucional. Hugo Chavez recorreu a esse expediente na Venezuela para atrair para si todos os poderes. Até mesmo o vice-presidente da República, Michel Temer, veio a público dizer que o projeto era inviável. O PT é mesmo muito engraçado: essa gente está há 10 anos no poder; e só agora tiveram esse surto de boa vontade para fazer a reforma política. Foi uma tentativa natimorta. Dilma viu-se obrigada a voltar atrás.

Um investimento de R$ 50 bilhões em mobilidade urbana também foi prometido, bem como a destinação total dos royalties do pré-sal – que nem sequer existem ainda – à educação. Como executar essas cifras é o grande mistério. Números oficiais do governo mostram o abismo que há entre orçamento autorizado e recursos efetivamente aplicados. Dos R$ 50,6 bilhões prometidos para a saúde, apenas 39,6% foram executados; em saneamento, 48,6% dos R$ 16,7 bilhões; na educação, 61,3% dos R$ 53,3 bilhões; em transportes, 60,5% dos R$ 118,5 bilhões. Se o governo mal dá conta de investir o que tem, de que adianta anunciar mais recursos para isso ou aquilo? Mais: quem disse que o problema da educação é de financiamento? É, sim, de falta de gestão adequada de recursos. O resto é conversa pra boi dormir.

O Mais Médicos, programa que impingia a todos os estudantes de medicina o exercício do ofício em hospitais públicos para poderem ter diploma sob o argumento de que o sistema público de saúde carece de médicos, também foi por água abaixo. De um autoritarismo tremendo, o precedente que se abriria seria um perigo. Se amanhã os engenheiros em obras do PAC se tornarem escassos, o governo vai obrigar estudantes de engenharia a serem “engenheiros públicos”? Se faltarem professores, os estudantes de magistério terão de dar aulas compulsoriamente nas escolas do Estado? Se dentistas se tornarem raro no Amazonas, os formandos em Odontologia serão enviados às comunidades ribeirinhas, do contrário, não têm diploma?

Perceberam? No afã de dar resposta aos anseios das ruas, o governo pôs em xeque a Constituição, a liberdade individual, o apreço pelas instituições e, por conseguinte, a própria essência da democracia. É claro que não se pode culpar o povo pelas respostas desastradas que Dilma deu. As pessoas levam à praça suas reivindicações. Ponto. O PT, ruim de governo, é que tem de ser questionado pela desgraça de suas réplicas.

Concluindo – Fosse o Brasil um País com partidos políticos sólidos, que não servissem apenas como moeda de troca para tempo de propaganda partidária e alimento ao deplorável sistema de presidencialismo de coalizão, talvez tantas insatisfações represadas teriam sido captadas antes de eclodir todas essas manifestações. Boa parte de quem está nas ruas tem como referência de governo apenas os 10 anos do PT e tudo o que de ruim fizeram ao Brasil. O avanço social cantado em prosa e verso pela dupla Lula-Dilma perdeu o fôlego. As pessoas não querem mais apenas a TV de 42 polegadas, o notebook comprado a longas prestações e o iogurte na geladeira, igualmente financiada. Esses novos menos pobres querem qualidade fora de casa também: escolas boas, hospitais decentes e sentirem-se seguras. 

Demorou pro povo ir pras ruas porque durante muito tempo o PT teve o monopólio da praça. O partido deu dinheiro a ONGs, à UNE, ao MST, às centrais sindicais – ou seja, a todas as franjas capazes de mobilizar multidões. Num passado não muito distante, as pessoas foram às ruas para protestar contra a Lei de Responsabilidade Fiscal, as privatizações, o Fundef e o Plano Real. Por trás das manifestações estava o PT, que arrebanhava multidões. Pergunto: a LRF não era boa? Não era igualmente benéficos o Fundef, o Plano Real e as privatizações? Sim, eram todos bons e deram inestimáveis contribuições ao Brasil. Mas e  daí? A turma engoliu as abobrinhas do PT e, bovinamente, foi protestar.

O momento do País serve para atestar a inapetência das oposições, que foram incapazes de detectar tantas reclamações reprimidas. Mas fazer o quê, não é mesmo? No Brasil, partidos de oposição sentem-se constrangidos de criticar, botar o dedo na ferida e representar o eleitor de…oposição.  Tanto que Marina Silva, virtual candidata à Presidência da República, foi a que mais ganhou com isso. Se Marina Silva foi a grande beneficiada, em boa coisa não vai acabar.

Assim, meus caros, como gosto da democracia, digo não às manifestações tal qual estão ocorrendo. O direito de tomar a praça e de se expressar é livre. Pena que essa liberdade tem sido usada para depredar patrimônio público e privado, censurar jornalistas, atacar agentes da ordem, impedir o sagrado de direito de ir e vir, invadir prédios públicos, promover bagunça, fazer apologia ao fim da representação política, desvirtuar a democracia, criar falsas tensões…

PORQUE GOSTO DA DEMOCRACIA, DIGO NÃO ÀS MANIFESTAÇÕES

PT E LULA, DEMOCRÁTICOS? FAZ-ME RIR!!!

Os petistas foram capazes de transformar tudo aquilo que julgavam danoso ao País em virtudes suas. Sequestraram o Brasil dos brasileiros. Passaram a borracha na história recente e a reescreveram a seu modo. Quem foi FHC? Ah, um Zé-Ninguém. Quem foi Lula? O homem que tirou o Brasil da miséria. Que foi FHC? Ah, aquele que entregou o patrimônio público do País ao capital a preço de banana. Quem foi Lula? Ora, um grande estadista. Quem foi FHC? Ah, foi aquele, do apagão elétrico. Que foi Lula? O da autossuficiência da Petrobras (o que é uma mentira, registre-se). Quem foi FHC? Ah, aquele que praticou genuflexão perante os americanos e retirou seus sapatos no aeroporto, uma humilhação nacional. Quem foi Lula? Ah, aquele que conquistou respeito internacional e não baixou a cabeça pros imperialistas (argh!). Quem foi FHC? Um intelectual esquerdista de meia-tigela que no início de seu governo se rendeu ao conservadorismo do PFL em nome da governabilidade. Quem foi Lula? Ah, foi o grande progressista que se aliou até a José Sarney — tudo tendo em vista o bom andamento do País, claro.

Eis aí a coleção de absurdos cultivada em dez anos de petismo no poder. Claro que isso não se deve somente à habilidade do PT de falsear os fatos e submete-los a torções mil. As oposições, inépcias, também devem ser chamadas à razão. Parece que só agora, depois de uma década, alas do PSDB pretendem fazer um resgate histórico dos feitos de FHC. Às vezes me dá uma saudade danada de Mário Covas…

O PT remodelou a história. Foram muito bem habilidosos nessa sina. Como o projeto de poder dessa gente é eternizar-se na suserania do Brasil, fizeram o que lhes aprouveram para o êxito: desconstruíram com inverdades o discurso dos adversários, às vezes, apelando à truculência. Quem não se lembra do senhor Luís Inácio Lula da Silva apregoando a extinção do DEM em Santa Catarina? Agora, no entanto, há um novo imperativo na praça. Aquilo que Lula disse ser uma farsa, aquilo que o PT sustentou ao longo dos últimos anos não passar de caixa dois de campanha está devidamente provado e nominado: existiu o mensalão, sim, e seu objetivo era dar um golpe na República. Doravante, urge, mais do que nunca, que a máquina de escrever do PT encontre meios para editar mais esse episódio da cena política brasileira. Os meios aos quais se socorrerão para isso já estão, em parte, definidos: cortes internacionais, desestruturar as decisões dos ministros do STF com base em teorias de juristas de outros países, demonizar a imprensa e regulamenta-la, preparar a militância para pressionar imprensa e STF no julgamento do mensalão mineiro, apresentar José Dirceu como mártir, construir um elo entre as sentenças do Supremo e um suposto preconceito das tais elites – como se o primeiro elemento derivasse do segundo. E por aí vai.

Querem saber de uma coisa? Novamente, eles têm tudo para, mais uma vez, sobrepujar as verdades factuais. A nota da executiva nacional do PT é uma declaração de guerra. Todos os componentes, todos os indícios, toda a astúcia do partido para reverter o dano à sua imagem estão ali. Impressionantemente, como sempre, a oposição assiste passível a esse show de horrores, silenciosa, inapta, incapaz de mostrar à sociedade o quão nocivo é às instituições e à própria democracia o processo iniciado pelo PT. Cadê Aécio Neves, o senador promessinha? Cadê Sérgio Guerra? Onde está Roberto Freire? Não se ouve a indignação de Agripino Maia. Por quê? A sempre mui vigilante imprensa, onde está? O perigo da regulamentação dos meios de comunicação é real. O PT, que vive tachando os veículos de “mídia elitista” e “golpista”, recorre a eles para legitimar suas opiniões. A Folha, por exemplo, dá voz a essa turma no seu espaço Tendências e Debates. Até que ponto é saudável um jornal vocalizar aspirações cujos interlocutores querem mais é ferrar a… imprensa?

Por que ninguém vocifera? Os sindicatos estão nadando no dinheiro. Devem eterna gratidão a Lula, que não acabou com esse vergonha que é a contribuição sindical compulsória, garantindo às entidades milhões e milhões de reais anualmente. A UNE, aparelhada pelo PC do B, vez por outra recebe um dinheiro oficial. As ONGs, idem. A quem resta, portanto, jogar luz sobre os fatos e não permitir que sejam obnubilados pela metafísica reinante do PT? A quem ficará o papel de arauto do alerta de que o povo entregou ao PT o direito de governar o País, mas não o de violar o Estado, não o de reescrever o passado à custa do futuro. Quem? Sinceramente, não sei.

Os construtores da democracia

No post abaixo deste, publico um vídeo em que o deputado petista José Guimarães declara que criminalizar o Lula é “criminalizar a democracia brasileira”. Nem nos Estados Unidos, país no qual vigoraram por anos e anos as leis de segregações raciais, um político ousaria dizer que “criminalizar Obama é atentar contra a democracia”. Pouco importa a cor da pele do presidente. Lá, o direito de divergir e o de apontar erros não é submetido a esse tipo de cretinice. Por aqui, se alguém ousar chamar Lula pelo nome que merece (mentiroso, prosélito, ignorante, autoritário) vai para a pira. Fernando Henrique Cardoso, por ser intelectual, pode receber chibatada; Lula, que deliberadamente decidiu não estudar, não. Seria preconceito!

Se o PT reivindica a si o papel de precursor de nossa democracia e exibe como exemplo a biografia do ex-terrorista José Dirceu e do ex-presidente Lula, devemos questionar: até que ponto isso tudo é verdade? Se esse é o meio encontrado por eles para minar o cenário pós-mensalão, então é preciso que sejam colocados alguns pingos nos “is”. Alguns fatos que mencionarei a partir daqui já foram tema de posts deste blog. Os arquivos estão aí. Consultem.

Então o PT e Lula são os pilares de sustentação da democracia brasileira? Convido-os a voltar a 1988, ano em que petistas se recusaram solenemente de participar da sessão que chancelou nossa Constituição.

 Então o PT e Lula são os pilares de sustentação da democracia brasileira? Airton Soares, José Eudes e Bete Mendes são vítimas dessa tal democracia petista. Os três, deputados, à época, foram expulsos do partido só porque participaram do Colégio Eleitoral responsável pela eleição de Tancredo Neves. Mais: Luíza Erundina, apenas por ter aceitado participar do governo Itamar Franco como ministra da Administração, também foi expulsa do PT.

Então o PT e Lula são os pilares de sustentação da democracia brasileira? O que há democrático em desejar a desestabilização econômica do Brasil? Remeto-vos à aprovação do Plano Real, responsável por colocar nossa economia nos trilhos. O PT se mobilizou fortemente para votar CONTRA o projeto. O mesmo ocorreu com o Proer, as privatizações – responsáveis por enxugar a então pesada máquina pública e dar, hoje, uma média de dois telefones celulares na mão de cada brasileiro –, e a Lei de Responsabilidade Fiscal.

Então o PT e Lula são os pilares de sustentação da democracia brasileira? Os oito anos de Lula à frente do País foram marcados pelas fortes e constantes investidas contra os direitos individuais amparados pela Constituição. Sigilos bancário, fiscal e telefônico etc… Tudo foi para o beleléu. Foram vítimas disso o humilde caseiro de Antônio Palocci e nomões da oposição.

Então o PT e Lula são os pilares de sustentação da democracia brasileira? Que raio de democracia é essa que cotidianamente quer aniquilar a liberdade de imprensa? Lula, quando presidente, deu incentivos à realização de inúmeras conferências que tinham por objetivo justamente isso: cassar a liberdade de imprensa. O Conselho Federal de Jornalismo, a tal regulação dos meios de comunicação e dispositivos de censura prévia contidos no Plano Nacional de Direitos Humanos são exemplos disso.

Então o PT e Lula são os pilares de sustentação da democracia brasileira? Foi o governo do PT que se utilizou das estruturas do Estado para confeccionar dossiês contra adversários políticos. Objetivo: arruinar suas candidaturas. O dossiê dos aloprados buscava culpar José Serra de algo que não fez; o da Casa Civil, de desmoralizar Fernando Henrique Cardoso e Ruth Cardoso.

Então o PT e Lula são os pilares de sustentação da democracia brasileira? Amigão de Lula, Ahmadinejad certamente concorda. Sua ditadura sempre recebeu solidariedade de nossa diplomacia. Já os presos políticos de Cuba – que só estão presos porque não podem exprimir o que pensam — talvez discordem. Compara-los a criminosos comuns, tais quais os que estão atrás das grades aqui em São Paulo, como fez Lula, não caiu bem. Outros que talvez também não achem Lula tão democrático assim sejam os boxeadores cubanos que fugiram da ditadura de Cuba ao Brasil. Foram devolvidos aos irmãos Castro pelas mãos de… Lula

Então o PT e Lula são os pilares de sustentação da democracia brasileira? As Farc, que até hoje não foram chamadas por aquilo que merecem pela nossa diplomacia, também podem concordar. A resistência do PT de qualificá-los como terroristas que são é comovente. Por falar em terrorismo: a Itália deve discordar de que Lula seja tão democrata assim. A razão disso: Cesare Battisti.

Então o PT e Lula são os pilares de sustentação da democracia brasileira? Que tal lembrar o que fez nosso grande democrata para financiar a compra da Brasil Telecom pela Oi? Mudou-se a Lei de Telecomunicações ao sabor da conclusão dos negócios. Nota à margem: a Oi é a ex-Telemar, empresa com a qual Lulinha tinha vínculos profundos.

Então o PT e Lula são os pilares de sustentação da democracia brasileira? Vamos, então,  finalmente,            falar do mensalão? Quem melhor definiu esse episódio da política brasileira foi Celso de Mello, decano do STF, em seu voto histórico sobre o caso. Pinço alguns trechos.

“Quero registrar,  neste ponto, Senhor Presidente,  tal como salientei em voto anteriormente proferido neste Egrégio Plenário, que o ato de corrupção constitui um gesto de perversão da ética do poder  e  da ordem jurídica, cuja observância se impõe  a todos os cidadãos desta República  que não tolera o poder que corrompe  nem admite o poder que se deixa corromper”.

“Este processo criminal  revela a face sombria daqueles que,  no controle do aparelho de Estado,  transformaram a cultura da transgressão em prática ordinária  e desonesta de poder, como se o exercício das instituições da República pudesse ser degradado a uma função de mera satisfação instrumental  de interesses governamentais e de desígnios pessoais”.

“A conduta dos réus, notadamente daqueles que ostentam  ou  ostentaram funções de governo,  não importando se no Poder Legislativo ou no Poder Executivo, maculou o próprio espírito republicano”

“O fato é um só, Senhor Presidente: quem tem o poder e a força do Estado, em suas mãos, não tem o direito de exercer, em seu próprio benefício, a autoridade que lhe é conferida pelas leis da República”.

“A corrupção deforma o sentido republicano de prática política, compromete a integridade dos valores que informam e dão significado à própria ideia de República,  frustra a consolidação das instituições,  compromete a execução de políticas públicas em áreas sensíveis  como as da saúde, da educação, da segurança pública e do próprio desenvolvimento do País, além de afetar o próprio princípio democrático”.

“Esses  vergonhosos atos de corrupção parlamentar (…) devem ser condenados e punidos com o peso e o rigor das leis desta República, porque significam tentativa imoral e ilícita de manipular,  criminosamente, à margem do sistema constitucional, o processo democrático,  comprometendo-lhe a integridade,  conspurcando-lhe a pureza  e suprimindo-lhe os índices essenciais de legitimidade,  que representam atributos necessários para justificar a prática honesta e o exercício regular do poder aos olhos dos cidadãos desta Nação”.

Caminhando para o desfecho

Eis aí, meus caros, alguns fatos que demonstram toda essa vocação democrática que o PT finge ter e à qual recorrerá para satisfazer seu intento. A partir de agora, claro, nada disso virá à baila. Em nome da causa – tornar alvas as reputações dos condenados no mensalão – maquiarão a história, recorrerão à mentira, tentarão destruir reputações, construirão alianças escusas e tudo mais que conflua para que os objetivos se concretizem. Já fizeram isso antes. Farão agora.

Usarão a democracia não para o bem comum. Mas em causa própria. Como sempre.

PT E LULA, DEMOCRÁTICOS? FAZ-ME RIR!!!

UM PARTIDO POLÍTICO NÃO PODE SER MAIOR QUE AS INSTITUIÇÕES

É claro que ainda há muito a ser dito sobre o comportamento do PT e seus mandachuvas depois da condenação sofrida por figurões do partido no STF. Essa gente precisar ter descortinadas suas mais obscuras intenções, dia após dia – ou começamos a nos conformar que um partido é maior que as instituições democraticamente postas. As ideias do PT precisam ser combatidas, desmoralizadas. Atenção: sublinho que as IDEIAS precisam ser destruídas, não o partido. Se há algo que tenho é tolerância de quem de mim diverge. “Ah, mas então por que torpedear os ideais do PT se você tolera os diferentes?”. Simples: porque seus princípios visam nada menos que o seqüestro da República. Tolero divergências, sim; desde que estas não tolham o Estado Democrático Direito.

Tarso Genro também resolveu se manifestar a respeito da decisão da mais alta corte do País (leia aqui). E o fez nestas palavras: “A nota da Executiva Nacional do PT sobre os resultados da ação penal 470 tornou-se um marco mais importante para o futuro democrático do país do que o próprio resultado do processo judicial”. Como é que é? O documento do PT tem mais importância para a democracia brasileira que o resultado do julgamento? Menos, governador, menos! A tal nota, implicitamente, diz que as condenações não são justas porque, vejam só, sendo Genoíno e Dirceu do mesmo partido de Lula e Dilma, os que tiraram milhões de brasileiros da miséria (esse discurso já me cansou), a condenação do Supremo nada mais seria que uma franja das manifestações de preconceito ódio. É uma aberração!

Recorrendo a Luigi Ferrajoli, lembra que o sistema processual deve contemplar uma relação triangular entre os sujeitos: acusação (Procuradoria Geral da República), Defesa (advogados dos réus) e Juiz (ministros). Por incrível que pareça, Tarso também lembra que deve haver “desinteresse” e “indiferença pessoal do juiz a respeito do que está em jogo no processo”. Seria de se questionar se a participação de Tóffoli não teria de ser suprimida, não é mesmo? Como bom petista que é, evidentemente Tarso não poderia deixar de dar seu naco de pontapés na imprensa, cuja influência no julgamento, segundo ele, constituiu a “quarta ponta do triângulo”.

No desfecho, Genro dá a receita para que injustiças como essas, vocês sabem, não voltem a acontecer. “A agenda da reforma política com a valorização dos partidos, a consagração das alianças verticais e a proibição do financiamento privado das campanhas, combinada com a democratização dos meios de comunicação, são as tarefas do próximo período (…) Se isso não ocorrer à(sic) médio prazo a ‘quarta ponta do triângulo’, que dominou nesta (sic) ação penal, pode dominar a política e o Estado como um todo. E aí todos, sempre, seremos réus ideológicos, como diria Drummond, de um mundo caduco”.

O recado é claro. 1) o PT fará o que for preciso para aprovar o financiamento público de campanha, esse assalto ao bolso de todos os brasileiros; e 2) o PT lutará, sim, para impor o tal controle social aos meios de comunicação, que nada mais é que censura.

Enquanto isso, no berço esplêndido da oposição, somos brindados com silentes vozes. Não há um Cristo que se levante para denunciar esses escarcéus. Está aí, tudo escancarado, mas quê… Passam incólumes por PSDB, PPS, DEM, PSOL… Repito: é guerra que o PT está declarando. Suas ameaças de não poupar esforços para que a decisão do STF seja revista e corrigida – como se além do Supremo houvesse uma instância maior entre a República e o céu – são um acinte à democracia.

Antes mesmo de se saber no que daria o julgamento, o deputado petista José Guimarães irmão de José Genoíno, em entrevista concedida sobre reportagem da revista Veja — a qual dava conta de que Lula estava ciente de absolutamente todas as negociatas do mensalão –, destaca que, se mexeu com o Lula, “mexeu com o povo brasileiro”. Num rasgo de respeito às instituições, o valente também declarou que, “quer queiram, quer não”, o PT tomará uma medida: a “regulamentação da questão da mídia”. Entenderam? Para o moço, nem sequer será discutido pelo Congresso. Será feito à força mesmo. “Criminalizar o Lula é criminalizar a democracia brasileira”, disse. Solução? Simples: censura!!! Vejam o vídeo aqui. Sobre esse tal patrimônio democrático que o PT e Lula representaria ao País, escrevo mais tarde.

E anotem aí: ainda estamos assistindo apenas aos prolegômenos do intento dessa gente.

UM PARTIDO POLÍTICO NÃO PODE SER MAIOR QUE AS INSTITUIÇÕES